POLÍTICA
25/01/2018 11:00 -02 | Atualizado 25/01/2018 11:01 -02

Lula fora da disputa? Presidenciáveis se dividem sobre condenação no TRF-4

“O Brasil vive mais um capítulo dolorido de sua curta e dramática história democrática”, afirmou Ciro Gomes.

Montagem / Agência Brasil / Getty Images / Reprodução
Presidenciáveis se dividem sobre condenação do ex-presidente Luiz Inácio da Silva em segunda instância.

Um golpe contra a democracia ou a demonstração de que as instituições brasileiras funcionam. Presidenciáveis aliados e opositores ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se dividiram sobre a condenação do petista em segunda instância, que pode deixá-lo fora da disputa eleitoral.

Nesta quarta-feira (24), O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação de Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP). O ex-presidente foi condenado à 12 anos e um mês de prisão. Ele nega as acusações e vai recorrer da decisão.

Lula também reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República. Caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidir se ele está inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

Provável candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que o julgamento mostra que ninguém está "acima da lei" e que o País segue em na "normalidade democrática".

Ex-ministra de Lula e pré-candidata pela Rede, Marina Silva reforçou o apoio à Operação Lava Jato, "sem nenhuma distração partidária ou ideológica".

Marina pediu que a população respeite a decisão judicial independente da conjuntura política e defendeu o fim do foro privilegiado.

O senador e presidenciável pelo Podemos, Álvaro Dias (PR), chamou o julgamento de "emblemático" e de "avanço para a consolidação da Justiça". Na avaliação dele, os desembargadores demonstraram que há provas suficientes para condenação.

Presidente da Câmara dos Deputados e possível candidato pelo DEM, Rodrigo Maia (RJ) adotou um tom ponderado. Disse que a decisão do TRF-4 mostra que as instituições funcionam, mas afirmou que a melhor disputa é eleitoral. "Na política, o melhor foro de enfrentamento de teses diferentes é a campanha eleitoral", afirmou, em nota.

O democrata destacou que construiu a carreira combatendo as teses defendidas pelo PT, mas que o resultado não deveria ser comemorado. "Quem tem responsabilidade pública, em qualquer nação, não pode estar celebrando o dia de hoje."

Já o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) disse que o País ganha com Lula fora da disputa e adotou um discurso liberal, em uma aceno ao mercado financeiro.

Aliados mantêm candidaturas

Partidos aliados, como PDT, PCdoB e Psol mantiveram suas candidaturas e demonstraram apoio ao petista. Integrantes das três legendas estiveram ao lado do ex-presidente nas manifestações de rua em São Paulo e Porto Alegre (RS).

Pré-candidato pelo PDT e ex-ministro de Lula, Ciro Gomes lamentou o resultado do TRF-4 e disse torcer para que o ex-presidente consiga reverter a condenação em instâncias superiores. "O Brasil vive mais um capítulo dolorido de sua curta e dramática história democrática."

Na disputa eleitoral pelo PCdoB, Manuela D'Ávila, que esteve nas manifestações ao lado de Lula em Porto Alegre, chamou o julgamento do triplex de "um verdadeiro processo de exceção" e defendeu que ele recorra do resultado.

A nota, assinada também pela presidente do partido, a deputada federal Luciana Santos (PE), afirma que a condenação de Lula é parte de um golpe iniciado com o impeachment de Dilma Rousseff para implementar uma agenda contrária aos interesses dos trabalhadores.

Nesse contexto, Manuela defendeu a construção de uma "frente mais ampla possível" e afirmou que sua pré-candidatura traz "novas esperanças para o povo e de outro futuro para o país".

Condenação de Lula é novo golpe na democracia A condenação do ex-presidente Lula em segunda instância pelo TRF-4 nesta quarta-feira (24) é um arbítrio, o ponto culminante de um verdadeiro processo de exceção. Desde a primeira instância, o processo foi conduzido sem levar em conta o princípio básico do juiz natural; em nenhum momento foram apresentadas provas de qualquer tipo de que o tal tríplex é de propriedade ou esteve em posse do ex-presidente. Não há qualquer ato de ofício que demonstre que ele beneficiou a empresa em questão, dentre muitas outras inconsistências largamente demonstradas pela defesa. Não à toa o processo movido contra Lula despertou a consciência jurídica nacional e internacional. Alguns dos mais renomados juristas do mundo se pronunciaram sobre o assunto, denunciando o caráter político do processo. Lula foi submetido a um massacre midiático permanente, que buscou jogar lama sobre o seu nome. Nesse sentido, o que vemos é uma repetição de outros episódios da história do Brasil, nos quais a grande imprensa buscou destruir lideranças comprometidas com o povo e com os interesses nacionais através de ataques contra sua honra. Foi assim com Getúlio Vargas e com João Goulart, ambos vítimas de campanhas difamatórias que abriram espaço para golpes contra a nação. Esta decisão, que visa o afastamento de Lula do processo eleitoral, é a nova fase do golpe institucional que cassou 54 milhões de votos dos brasileiros e brasileiras que elegeram Dilma Rousseff em 2014. O golpe, como o PCdoB tem afirmado desde o início, tem um programa. Foi consumado para implementar um violento projeto de recolonização do país, que inclui a destruição dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e a reafirmação dos interesses do rentismo parasitário. Esse programa não aceita a democracia porque não pode ser implementado sem calar o povo, cassando-lhe o direito ao voto, perseguindo suas lutas e seus dirigentes. Lula não é o primeiro nem será o último, caso a sociedade brasileira não se mobilize em defesa da democracia e do Estado de Direito. (Segue) 👇🏽👇🏽👇🏽👇🏽

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Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e provável candidato ao Planalto pelo Psol, Guilherme Boulos acompanhou o ato pró-Lula em São Paulo.

Ele adotou um tom duro afirmou que houve uma "sacanagem consumada pelo TRF-4". "Ninguém vai engoliar a seco. Ninguém vai aceitar passivamente", disse Boulos.

Em nota, o presidente do Psol, Juliano reforçou que o partido terá candidatura própria, mas que está ao lado do petista. "Repudiamos a condenação sem provas e defendemos seu direito de concorrer", diz o texto.

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