POLÍTICA
24/01/2018 11:32 -02 | Atualizado 24/01/2018 11:32 -02

Temer diz que não haverá mudança de rumo no Brasil nas eleições

“O Judiciário julga com toda isenção e tranquilidade, aplicando naturalmente o direito e quando há penalidades, são punidas.”

Presidente Michel Temer no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
FABRICE COFFRINI via Getty Images
Presidente Michel Temer no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

No dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é julgado em Porto Alegre (RS), o presidente Michel Temer afirmou que o "Judiciário trata as denúncias de corrupção com toda a isenção". Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o peemedebista disse ainda que o Brasil não está ameaçado pelas eleições.

Após o discurso, ao ser questionado pelo presidente do Fórum, Klaus Schwab, sobre o impacto dos casos de corrupção no Brasil na disputa eleitoral, Temer destacou que a atuação das instituições brasileiras como a Polícia Federal e o Ministério Público garantem segurança jurídica.

"No Brasil, as instituições estão sobranceiramente funcionando. Nós temos uma separação absoluta dos poderes, naturalmente cada qual exercendo suas atividades livre e independentemente, temos os órgãos de fiscalização, por exemplo, a Polícia Federal, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas que fiscalizam permanentemente os atos da administração", afirmou Temer.

Sem citar Lula, o peemedebista completou.

Nós temos instituições funcionando com toda a tranquilidade, veja que o Judiciário julga com toda isenção e tranquilidade, aplicando naturalmente o direito e quando há penalidades, são punidas.

A frase de Temer foi dita antes do início do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). A 8ª do tribunal analisa recurso contra a decisão do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal.

Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP). O Ministério Público Federal acusa o ex-presidente de ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O petista nega a acusação.

Se o ex-presidente for condenado em segunda instância, pode ficar fora da disputa eleitoral. Lula lidera a corrida pelo Palácio do Planalto, com mais de 30% das intenções de voto em todos os cenários, de acordo com o Datafolha.

Em seu discurso, Temer afirmou que não haverá mudança de rumo no País em outubro e que as reformas econômicas não estão ameaçadas.

Sei que muitos podem estar se perguntando se continuaremos nesse caminho; se nossa jornada não estaria ameaçada pelas eleições que se avizinham no Brasil. Permitam-me dizer-lhes, sem rodeios e com convicção: completaremos nossa jornada. O Brasil que vai às urnas em outubro sabe que a responsabilidade dá resultados.

Reforma da Previdência

O presidente destacou a herança de crise econômica dos governos petistas e disse ter rejeitado "atalhos populistas". Temer afirmou que a reforma trabalhista "trouxe o Brasil ao século 21" e disse que o governo está empenhado na aprovação das mudanças previdenciárias e tributárias.

"Nosso próximo passo é consertar a Previdência, tarefa em que estamos muito empenhados. Cada vez mais, a população brasileira percebe que o sistema atual é injusto e insustentável. Vamos batalhar, dia e noite, voto a voto, para aprovar a proposta que está no Congresso."

A demora na tramitação da reforma da Previdência é vista com ressalvas pelo mercado financeiro e motivo do rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

É primeira vez que Temer participa do Fórum Econômico Mundial. A expectativa do governo é atrair mais investimentos para o país. O presidente irá participar também de reuniões bilaterais.

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