POLÍTICA
24/01/2018 20:55 -02 | Atualizado 24/01/2018 21:01 -02

PT reafirma Lula como candidato a presidente apesar da condenação em segunda instância

"Não há plano A, B, C ou D. Só L."

Ato pró-Lula reuniu milhares de pessoas em apoio ao ex-presidente na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ato pró-Lula reuniu milhares de pessoas em apoio ao ex-presidente na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre

O diretório nacional do PT deve confirmar nesta quinta-feira (25) a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, apesar da condenação do ex-presidente em segunda instância em Porto Alegre. "Não há plano A, B, C ou D. Só L. É Lula presidente em 2018!", proclamou o ex-governador da Bahia Jaques Wagner em evento na Assembleia Legislativa gaúcha nesta semana. Mesmo cotado para substitui-lo, em caso de inelegibilidade, o baiano mantém o discurso pró-Lula.

Outro petista que rechaçou a ideia de que o partido tem algum plano B é o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS). "Lula será candidato independente do resultado do julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4)", declarou em vídeo publicado em seu Twitter, durante ato de apoio nesta semana na capital gaúcha, que contou com a participação do ex-presidente.

No mesmo evento, a ex-presidente Dilma Rousseff corroborou com a ideia de que o partido não pensa em alternativas e insistirá na candidatura de Lula. O ato reuniu milhares de pessoas na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) foi ainda mais longe na defesa de Lula em seu Twitter – disse que o PT não aceitará "essa farsa jurídica travestida de julgamento" e calcula que o ex-presidente será candidato e vencerá ainda no primeiro turno.

O senador Roberto Requião (PMDB), que, apesar do partido, se apresenta convictamente como de esquerda, conta que, de início, saudou a Operação Lava Jato. "Até que eu vi que não era sobre corrupção, porque, se fosse, José Serra e Aécio Neves (PSDB) já estariam presos, e o governo de Michel Temer já teria terminado", observa. Para o peemedebista, Lula está sendo condenado porque é o único candidato possível a fazer contraponto na balança em relação à "liberalização econômica" que vive o Brasil.

Segundo o ativista do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e pré-candidato à presidência pelo PSol, Guilherme Boulos, a população está em uma "encruzilhada democrática" fundamental para a História brasileira. "Não se trata de gostar ou não do Lula, mas de defender a democracia. É uma condenação sem provas, casuística, que o País inteiro vê que tem como intuito tirá-lo da eleição", pontua.

Lei da Ficha Limpa

Apesar de Lula ter caído na Lei da Ficha Limpa, ele não está inelegível porque ainda cabe recurso da decisão do TRF-4. Além de entrar com embargos de declaração, a defesa deve recorrer a instâncias superiores, que vão deliberar sobre a validade da candidatura de Lula nas eleições de outubro.

Até haver uma decisão formal no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ou em cortes superiores, Lula deve seguir sua campanha.

A legislação torna inelegíveis por oito anos candidatos cassados, que renunciaram para evitar a cassação ou, como ocorreu com o petista, condenados por órgão colegiado.

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