MULHERES
22/01/2018 11:46 -02 | Atualizado 22/01/2018 12:47 -02

Viola Davis, Natalie Portman e Scarlett Johansson: O discurso das famosas na Marcha das Mulheres contra Trump

"Quando levanto minha mão, estou ciente de todas as mulheres que ainda estão em silêncio".

Viola Davis fala durante a Marcha das Mulheres, em 20 de janeiro, em Los Angeles, California.
Chelsea Guglielmino via Getty Images
Viola Davis fala durante a Marcha das Mulheres, em 20 de janeiro, em Los Angeles, California.
Quando eu levanto minha mão, estou ciente de todas as mulheres que ainda estão em silêncio.

A frase acima pertence ao discurso da atriz Viola Davis, em evento da Marcha das Mulheres que aconteceu neste fim de semana, em Los Angeles, nos Estados Unidos. "Hoje estou falando não só pelas mulheres do "Me Too" (...)", disse.

A atriz afirmou que, toda vez que levanta sua mão, fala pelas "mulheres anônimas, as que não têm dinheiro, as que não têm a confiança e as imagens em nossa mídia que lhes deem uma sensação de autoestima suficiente para quebrar o silêncio que está enraizado na vergonha e o no estigma do estupro".

Viola ainda pediu para que as pessoas pensem no coletivo:

Todo dia, seu trabalho como cidadão americano não é apenas para lutar pelos seus direitos, mas lutar pelo direito de cada indivíduo que está respirando, cujo coração está bombeando e respirando nessa terra.

No ano passado, o alvo das manifestações era a eleição de Donald Trump que, durante sua campanha presidencial, protagonizou momentos de misoginia e violência contra as mulheres. Trump, que professou aos quatro ventos "grab them by the Pussy" ("Agarre-as pela buceta"), também foi alvo de denúncias de assédio durante o período eleitoral.

Segundo os organizadores, à época, mais de três milhões de pessoas marcharam por todo o país para mostrar a insatisfação com a agenda ultraconservadora do novo presidente e como uma nasty woman (mulher desagradável, em tradução livre) realmente se parece.

Em 2017, Trump indicou apenas três mulheres para cargos oficiais e logo no terceiro dia de governo limitou auxílio financeiro a ONGs estrangeiras que realizam abortos. E 2018 não começa diferente: "Como vocês sabem, Roe versus Wade resultou em uma das legislações mais permissivas sobre aborto em qualquer lugar do mundo", disse o presidente em discurso na "March of Life", marcha de grupos antiaborto, nesta semana.

Este ano, a pauta da manifestação foi maior.

Com cartazes com frases como "Agarre eles pelas legislativas" e "Essa vagina vota", as mulheres querem derrotar os republicanos nas eleições legislativas de 2018. Entitulado "Women's March Anniversary: Power to the Polls" (Aniversário da Marcha das Mulheres: Poder para as pesquisas, em tradução livre), o evento visou mobilizar Las Vegas, em Nevada, já que, segundo o site oficial da marcha, "é um estado crucial para as eleições legislativas norte-americanas" que acontecem em 2018 e porque, recentemente, "foi atingida pelo maior ataque a tiros da História dos Estados Unidos".

Steve Marcus / Reuters

A ideia também é fazer com que mais pessoas tenham o poder de voto. Nos Estados Unidos, diferente do Brasil, o voto não é obrigatório. Segundo a ONG Emily's List, que promove a participação das mulheres na política, desde a eleição presidencial de 2016, 25.000 mulheres procuraram seus escritórios com a intenção de disputar algum cargo.

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Além de Viola Davis, nomes de Hollywood como Scarlett Johansson e Natalie Portman também participaram da marcha. Em seu discurso, Portman lembrou de como, aos 13 anos, descobriu o que é ser objetivada. Ela afirmou que sofrer "terrorismo sexual" na infância fez com que ela sentisse a necessidade de cobrir seu corpo e ser uma pessoa mais "inibida".

"Eu entendi muito rapidamente, até mesmo como uma adolescente de 13 anos, que se eu me expressasse de forma sensual eu não me sentiria segura e que homens poderiam se achar no direito de falar sobre meu corpo e objetificá-lo, o que me deixaria desconfortável", disse.

Já Scarlett Johansson, em seu discurso, afirmou que as mudanças de comportamento são necessárias para que as próximas gerações não sejam afetadas pelos mesmos problemas como o assédio sexual.

"Avançar significa que minha filha vai crescer em um mundo onde ela não precisa se tornar uma vítima do que se tornou a norma social. A igualdade de gênero não pode existir apenas fora de nós - deve existir dentro também. Devemos assumir a responsabilidade não apenas por nossas ações, mas por nós mesmos".