POLÍTICA
21/01/2018 13:56 -02 | Atualizado 21/01/2018 13:56 -02

CarnaLula, Lokos Liberais e cartunistas: A programação do julgamento do Lula

PT espera reunir 50 mil apoiadores do ex-presidente. MBL organiza evento com banda que se considera “o bloco de rua da zoeira capitalista e opressora”.

Movimentos organizam atos em função do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre (RS).
Montagem / Reprodução / Getty Images
Movimentos organizam atos em função do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre (RS).

Se do lado de dentro do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o clima é de toga e latim, de fora, o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem de cartunistas a bloco de rua.

Organizado pelo MBL (Movimento Brasil Livre), o CarnaLula é descrito como uma "comemoração pelo início da libertação do Brasil", após o julgamento do petista, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Até a última quinta-feira, mais de mil pessoas confirmaram presença no evento no Facebook. "Será um verdadeiro pré-carnaval", promete o MBL.

A manifestação está marcada para 18h da próxima terça-feira (24), após o julgamento do petista, marcado para começar às 8h30.

O TRF-4 analisa recursos do processo sobre o tríplex no Guarujá, no qual o petista foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a nove anos e seis meses por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS.

Na véspera, segunda-feira (23), haverá vigílias de ambos os lados. "Vai servir também como uma espécie de esquenta para começar a reunir o pessoal", afirma o empresário Luciano Machado, 37 anos, um dos integrantes da La Banda Loka Liberal. O grupo é uma das atrações do CarnaLula.

La Banda Loka Liberal

Na página do Facebook, o grupo se descreve como "o bloco de rua da zoeira capitalista e opressora", do gênero como "chega junto do araketu opressor de socialistas" e diz ser composta pelos integrantes "Cavalo Loko, Galinha OprimeDilma e seus amigos capitalistas da CIA". São mais de 60 mil seguidores.

Fora das redes sociais, o grupo se define como um coletivo de pessoas com ideais liberais em commum. Nem todos pertencem a movimentos como o MBL e o Vem para a Rua e a maioria não é músico, de acordo com Luciano.

Criada nas manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff em março de 2015, em Porto Alegre, os Lokos Liberais fazem marchinhas e cantos de torcida de futebol com um toque político.

"Chora Petista, bolivariano / A roubalheira do PT tá acabando", diz a música mais conhecida nos protestos contra o partido. A banda também lançou Lula sabia de tudo, Dá-lhe Moro e Baile de Propina, uma paródia ao funk Baile de Favela.

As letras costumam ser elaboradas em um grupo de WhatssApp. Para o dia 24, a banda prepara uma surpresa inspirada em Lula. "É um momento crucial para o País", afirma Luciano.

O grupo ganhou projeção com as manifestações pró-impeachment pelo Brasil. Em novembro de 2015, esteve em ato em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, ao lado de integrantes do MBL como Kim Kataguiri e Fernando Holiday, vereador de São Paulo pelo DEM.

Se nas músicas sobra euforia, nos protestos a banda já se envolveu em controvérsias. O grupo foi criticado pelo protesto em março de 2016 em frente à casa do então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki. Os gritos de "Teori traidor" foram considerados agressivos.

Então relator da Operação Lava Jato no STF, o magistrado havia decidido que uma investigação contra Lula deveria ser enviada pelo juiz Sérgio Moro, para o Supremo. O ministro faleceu em um acidente aéreo em janeiro de 2017.

Em defesa da democracia

Se os opositores do ex-presidente têm o CarnaLula, os apoiadores não ficam atrás. A partir das 16h do dia 23, as atividades culturais terão dois endereços na capital gaúcha: a Tenda da Cultura no Largo Glênio Peres e a Esquina Democrática.

Estão programadas atividades com cartunistas e artistas do hip hop. Mais tarde, a virada cultural na madrugada vai preparar para a vigília no dia seguinte. "Nossa proposição é fazer um desfile absolutamente pacífico pela democracia e pelo direito de Lula ser candidato", afirmou ao HuffPost Brasil o presidente do PT em Porto Alegre, Rodrigo Campos Dilelio.

O petista já tem recebido apoio de artistas. Na última semana, ato no Rio de Janeiro reuniu atores como Osmar Prado e Gregório Duvivier.

O partido aguarda cerca de 50 mil pessoas em Porto Alegre. Foram confirmados 300 ônibus. O DCE (Diretório Central de Estudantes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) abriga integrantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) desde a semana passada.

Para Dilelio, há expectativa pela absolvição de Lula "pelo fato de não ter provas". "Essa é a hora de interromper o golpe", afirma. O partido, junto com movimentos sociais irá participar da jornada contra a reforma da Previdência em 1º de fevereiro e da greve geral marcada para 19 de fevereiro.

No dia seguinte ao julgamento, o PT irá lançar o ex-presidente como candidato ao Palácio do Planalto, independente do resultado. Caberá à Justiça Eleitoral julgar a legalidade da candidatura, após uma eventual condenação em segunda instância.

No âmbito penal, se o TRF-4 mantiver a condenação por unanimidade (três votos), a defesa de Lula só tem direito a embargos declaratórios na corte, um tipo de recurso. Se a condenação for por dois a três, cabem também embargos infringentes. Os advogados podem recorrer ainda ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Photo galleryMomentos históricos da vida de Lula See Gallery