ENTRETENIMENTO
19/01/2018 12:05 -02 | Atualizado 22/11/2018 11:48 -02

Janis Joplin, 75 anos: Relembre a passagem relâmpago da estrela do rock pelo Carnaval do Rio

Ícone da contracultura completaria 75 anos em janeiro deste ano.

Janis Joplin nos anos 60.
Tom Copi via Getty Images
Janis Joplin nos anos 60.

Um cometa chamado Janis Joplin passou pelo Rio de Janeiro em fevereiro de 1970. Quase passou despercebida pelo grande público. E quase atingiu seu objetivo no Brasil.

Exatamente oito meses antes de morrer de overdose, aos 27 anos, a estrela visceral do rock americano desembarcou em terras cariocas numa viagem de férias com a intenção de ficar um tempo longe do consumo abusivo de drogas, mais especificamente da heroína – droga até então inexistente no Brasil.

Mas era semana de Carnaval.

E Janis não se furtou em aproveitar (intensamente) o clima de folia.

Ela chegou no dia 6 de fevereiro e ficou poucos dias na Cidade Maravilhosa.

Não se sabe ao certo quanto tempo durou a estadia. Sabe-se apenas que foi o suficiente para que a mulher, hoje símbolo da força feminina no blues e no rock, vivesse experiências de alta voltagem - deliciosas e vexaminosas na mesma medida.

Ricky Ferreira/HuffPost Brasil
Clique de Janis Joplin de topless no Rio de Janeiro nos anos 70.

Janis assistiu aos desfiles das escolas de samba na Candelária, fez topless na Praia da Macumba (em plena ditadura militar), foi expulsa do Copacabana Palace por ter nadado nua na piscina e também barrada em um camarote do Theatro Municipal.

Para alegria de algumas prostitutas, marinheiros e estrangeiros bêbados, a cantora deu ainda uma palinha à capela no palco de um inferninho da Zona Sul.

Serguei, a lenda vida do rock brasileiro, foi quem apresentou Janis para os presentes. Janis tinha acabado de lançar I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!, seu primeiro álbum solo de estúdio após saída da banda Big Brother and the Holding Company.

No Rio, a cantora ainda arranjou um namorado americano, com quem viajou posteriormente de moto para a aldeia hippie de Arembepe, na Bahia.

O combustível dessa viagem delirante foram garrafas e mais garrafas de vodca, cachaça Fogo Paulista, licor de ovos Dubar, pílulas, entre outras drogas.

Quem testemunhou tudo isso foi Ricky Ferreira, fotógrafo carioca que na época trabalhava para a versão brasileira da revista Rolling Stone.

Depois de encontrar Janis chorando na Praia de Copacana - por causa da expulsão do Copacabana Palace -, ele a hospedou na quitinete onde morava, no Leblon. Na sequência, acabou se tornando seu cicerone.

Em janeiro de 2000, Ferreira contou à revista Trip todos detalhes da experiência única de conviver com o "cometa" Janis Joplin no Rio.

Para ele, além do talento e do jeito impetuoso de lidar com o mundo, a artista símbolo da contracultura carregava consigo uma angústia constante.

"Ela sabia que era um gênio. Podia estar doidona, mas era consciente de seu papel como artista, sabia que era maravilhosa. Só que tinha um lado depressivo, de auto-estima baixa. Foi super rejeitada em Port Arthur, Texas, onde nasceu, porque só andava com músicos, a maioria negros. Era frágil, muito angustiada, muito down. Tinha momentos de alegria, ria como menininha, mas era uma pessoa muito sofrida. Agora, imagina essa mulher vir bater no Brasil daquela época! O que devia ser o Brasil pra ela? O que é o Brasil pro americano médio? Cobra na rua, índio de bunda de fora? Imagina, em 1970 (...) Meses depois, levei um choque ao saber que ela tinha morrido. Aquela voz era única. Quem consegue, hoje em dia, ouvir um disco inteiro da Janis Joplin? Ela é fortíssima, intensa, visceral. Até hoje, Janis é única."

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