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17/01/2018 08:00 -02

Brasil registra aumento nos casos de febre amarela. Ministro nega surto

Macacos não transmitem a doença.

"Os macacos não são responsáveis pela transmissão, muito pelo contrário: esses animais servem como guias para a elaboração de ações de prevenção", diz o Ministério da Saúde.
Paulo Whitaker / Reuters
"Os macacos não são responsáveis pela transmissão, muito pelo contrário: esses animais servem como guias para a elaboração de ações de prevenção", diz o Ministério da Saúde.

São Paulo foi incluído no mapa, da OMS, de áreas de risco de contaminação de febre amarela. No mesmo dia, na terça-feira (16), o governador Geraldo Alckmin antecipou a campanha de vacinação, e o Ministério da Saúde atualizou para 35 o número de casos registrados da doença entre julho de 2017 e o dia 14 deste mês.

A maioria dos casos, mais de 30, foram registrados este ano. Nesse mesmo período, do total de 35 casos, 20 resultaram em mortes. Há ainda 145 casos em investigação.

O cenário alarmante gerou uma série de dúvidas sobre a doença. O ministro da Saúde interino, Antônio Nardi, nega surto. Em entrevista coletiva na terça-feira (16), ele enfatizou que há apenas um aumento na incidência de casos.

O ministério esclarece que o último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942. Até então, todos os casos confirmados decorrem do ciclo silvestre de transmissão - áreas de floresta, onde o principal hospedeiro é o macaco.

Aqui estão quatro fatos que você precisa saber sobre a febre amarela:

1.Vacina fracionada não vale para viagem internacional

Se você está com viagem internacional marcada para os próximos dias e precisa do certificado da vacina de febre amarela, você deve tomar a vacina padrão.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que só emite o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia com esta dosagem, que é diferente da vacina fracionada.

Na sua página oficial, a agência explica que os viajantes integram o mesmo grupo especial que inclui crianças entre nove meses e dois anos, pessoas com condições clínicas especiais (vivendo com HIV/Aids, ao final do tratamento de quimioterapia e pacientes com doenças hematológicas, entre outras) e gestantes.

Para que tenha acesso a vacina com dose padrão, o viajante deve apresentar o comprovante da viagem. "Não será emitido CIVP, em hipótese alguma, para quem apresentar comprovante de vacinação com etiqueta referente a dose fracionada", enfatiza a Anvisa.

2. Macacos não transmitem febre amarela

Não, os macacos não são os responsáveis pela transmissão da doença. O alerta é do Ministério da Saúde. A pasta tem pedido à população que não mate os animais.

A doença é transmitida por mosquito.

O macaco, segundo o ministério, serve como um indicador da presença do vírus em determinado local.

"Os macacos não são responsáveis pela transmissão, muito pelo contrário: esses animais servem como guias para a elaboração de ações de prevenção", ressalta nota do ministério.

Vale lembrar ainda que matar animais é crime ambiental, com pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa.

Essa estratégia, que não funciona, é antiga. Em março do ano passado, também em um período de aumento da incidência de febre amarela, 25 macacos foram encontrados mortos em São José do Rio Preto, em São Paulo.

3. Nem todo mundo pode tomar a vacina

O Ministério da Saúde esclarece que a vacina é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer e pessoas com imunossupressão e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo.

Idosos também só devem tomar a vacina após avaliação médica.

Quem toma a vacina não pode doar sangue por quatro semanas. O recomendando é que as pessoas façam a doação antes de tomar a vacina para manutenção dos estoques de hemocomponentes.

4. Não há surto de febre amarela

Embora os números pareçam dizer o contrário, o ministro da Saúde interino é enfático em dizer que não há surto da doença.

"É um aumento da incidência de circulação viral."

Segundo ele, apesar do aumento no número de casos, a situação está dentro de um "controle absoluto".

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