ENTRETENIMENTO
16/01/2018 13:38 -02 | Atualizado 16/01/2018 17:50 -02

Jô Soares, 80 anos: 8 fatos que talvez você não saiba sobre o maior entrevistador da TV brasileira

Vida longa ao Gordo!

Carioca multifacetado, Jô tem seu nome marcado na literatura, no teatro, na literatura e no cinema brasileiro.
Divulgação/Carol Caminha/Gshow
Carioca multifacetado, Jô tem seu nome marcado na literatura, no teatro, na literatura e no cinema brasileiro.

Humorista, entrevistador, escritor, dramaturgo, músico e uma das figuras mais populares do showbiz brasileiro, José Eugênio Soares, o Jô Soares, completa 80 anos nesta terça-feira (16).

Filho único de uma dona de casa e um corretor da Bolsa de Valores - a Mêcha e o Garoupa - Jô teve uma edução de vanguarda que o ajudou a adquirir fluência em 6 idiomas e alimentar um sonho inicial pela diplomacia.

O humor, no entanto, foi a linha condutora de uma carreira celebrada, que soma mais de 50 anos – e que não tem data prevista para terminar. O artista multifacetado passou por diferentes humorísticos e emissoras de TV, mas ficou cristalizado no imaginário dos brasileiros como o entrevistador do fim de noite na Globo.

O "beijo do Gordo" virou sua marca.

No final do ano passado, Jô lançou O Livro de Jô - A Autobiografia Desautorizada, primeiro de dois livros que reúnem detalhes de sua rica trajetória. Com a ajuda do jornalista Matinas Suzuki Jr., Jô apresenta memórias pitorescas e episódios ao lado de personalidades dos mais diversos gabaritos - do pintor Roy Lichtenstein (1923-1997) à atriz Teresa Austregésilo, primeira mulher e mãe de seu filho.

A seguir, o HuffPost Brasil apresenta 8 curiosidades sobre o apresentador que seguem paralelas às revelações presentes no livro. Algumas delas, talvez, você desconheça.

Ele já foi elogiado em matéria de página inteira no The New York Times

Foi em 2012. Jô estava no auge da carreira à frente de seu talk show na TV Globo, quando foi perfilado por Larry Rother - então correspondente do Brasil no jornal norte-americano The New York Times. O texto ocupou uma página inteira da publicação. Na matéria, Rother descrevia o apresentador como "o homem da renascença do show business brasileiro". O texto dizia:

Imaginem David Letterman escrevendo livros que se tornam sucessos de vendas em seus momentos de folga. Ou Jay Leno sendo tão bem sucedido como músico ao ponto de embarcar em uma turnê com a banda de seu programa. Ele simplesmente não pode ser contido por apenas um talk show.

Na época, Jô acumulava a autoria dos best-sellers: O Xangô de Baker Street (1995), O Homem que Matou Getúlio Vargas (1998), Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005) e As Esganadas (2011). Além disso, fazia turnês pelo Brasil ao lado de seu Sexteto.

Leia o texto do The New York Times (na íntegra e em inglês) aqui.

É imortal da Academia Paulista de Letras

Jô tomou posse da cadeira de número 33 da Academia Paulista de Letras em novembro de 2016.

Na ocasião, recebeu o colar acadêmico das mãos do então ministro da Cultura, Marcelo Calero, e passou a ocupar o lugar que pertencia ao escritor Francisco Marins, morto em abril daquele ano. Ele havia ocupado a cadeira por cinco décadas - entre 1966 e 2016.

O patrono foi Teófilo Dias (1854-1889). Além dos best-sellers já descritos neste texto, Jô também é autor de peças de teatro e dezenas de roteiros para a TV, desde os tempos da Família Trapo, produção exibida na Record nos anos 50.

Jerry Lewis foi a primeira influência dele na comédia

Divulgação

Em mais de 50 anos de carreira, Jô trabalhou e conviveu com comediantes de peso do cenário nacional, incluindo Max Nunes (1922-2014), Grande Otelo (1915-1993) e Renata Fronzi (1925-2008). No entanto, existe apenas um nome que vem à mente dele quando o assunto é influência imediata: Jerry Lewis.

"A primeira vez que o vi, estava com a minha mãe em Nova York e estreou That's My Boy (O Filhinho do Papai) lançado em 1951. Eu tinha 12 anos e bateu, ficou lá dentro. Eu brincava de imitar o Jerry Lewis", revelou o comediante à Folha de S. Paulo.

Seu primeiro talk show se chamava Globo Gente

Reprodução/Memória Globo

Nem Jô Soares Onze e Meia. Muito menos Programa do Jô. O primeiro talk show que o apresentador comandou foi o Globo Gente.

Depois de trabalhar em diversos humorísticos da emissora, em abril 1973 ele ganhou um programa de entrevistas que inicialmente chamava-se Gente Global. Poucas semanas depois, a atração teve o dia de exibição alterado (de segunda e terça para quintas-feiras) e ganhou o nome definitivo.

A atração durou apenas 9 meses no ar. Nesse tempo, Jô entrevistou diversos artistas da casa e também personalidades do showbiz brasileiro, incluindo Giberto Gil, Gal Costa e Dina Sfat (1939-1989).

Ele já fez uma sátira maravilhosa ao dito padrão de qualidade da Globo

Depois de trabalhar por 12 anos no SBT, Jô retornou à Globo em 3 abril de 2000, quando estrou o Programa do Jô. O filho gordo da Rede Globo estava voltando para casa, brincou o apresentador na abertura. Boas risadas marcariam a estreia da atração - que ficou 16 anos no ar.

No que pareceu uma esquete perfeita, Jô elogiou a tecnologia do estúdio até que o microfone começou a falhar. Minutos depois, ele foi interrompido pelo ator Francismo Milani, vestido de contrarregra, que relatava alguns problemas imprevistos.

Ao final do discurso, uma lâmpada caiu do teto, levando todos ao riso (Assista no player acima).

Ele bebia até sopa naquela famosa caneca do Programa do Jô

Divulgação/Carol Caminha/Gshow

É isso mesmo o que você leu.

Em 2016, Alex, o garçom do Programa do Jô - que trabalhou com o apresentador por mais de 25 anos - revelou o que o Brasil inteiro queria saber. Afinal, o que Jô tomava naquela caneca? "Depende do clima. Ele já tomou até sopa naquela caneca, mas normalmente é refrigerante diet e água", disse ao Gshow.

Jô teve apenas um filho

Divulgação/Carol Caminha/Gshow

Ao longo da vida, Jô Soares foi casado três vezes. Foram vinte anos ao lado de Teresa Austregésilo, dois anos e meio ao lado de Sylvia Bandeira e quinze anos de matrimônio com Flávia Soares. Com Teresa, Jô teve seu único filho, Rafael, que sofria de autismo.

Rafael morreu em 2015, aos 51 anos, em decorrência de um câncer.

Em dezembro do ano passado, em um dos raros momentos em que chorou em frente às câmeras, Jô falou sobre o filho no Conversa Com Bial. Na ocasião, ele fez questão de desmentir as acusações de que escondia o filho por conta do autismo.

Eu jamais esconderia meu filho. Tinha orgulho desse talento musical que ele tinha, um ouvido absoluto (...) Ele fez a música do meu show, tinha ouvido absoluto, um dom, mas a incapacidade de produção era total. Uma capacidade para aguentar sofrimento. Ele ainda foi presenteado com câncer violento e quando começou a fazer o tratamento de quimioterapia, um enfermeiro, na hora de aplicar, errou e fez uma queimadura no Rafinha de incêndio, que queimou o peito todo dele.

E um dos pontos altos da carreira dele foi esse encontro aqui

Em 2000, Jô promoveu uma reunião especial entre Nair Bello (1931-2007), Hebe Camargo (1929-2012) e Lolita Rodrigues no palco de seu programa na Globo.

Ninguém imaginaria, no entanto, que aquele encontro das três atrizes e amigas de longa data entraria para a história como um dos mais divertidos e emocionantes da história do talk show.

A celebração de uma grande amizade, regada a boas piadas e gargalhadas, marcou definitivamente a carreira de Jô. "Acho que foi um dos momentos mais importantes da minha volta para a Globo", chegou a afirmar o apresentador.

Vida longa ao Jô!

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