POLÍTICA
16/01/2018 16:20 -02 | Atualizado 16/01/2018 20:20 -02

Investigações de corrupção ameaçam liberdade no Brasil, diz estudo

Brasil ficou em 73º lugar no ranking de 210 países, atrás de Argentina, Chile e Uruguai.

Manifestante no Rio de Janeiro após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser condenado por corrupção.
Ricardo Moraes / Reuters
Manifestante no Rio de Janeiro após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser condenado por corrupção.

O Brasil ficou em 73º lugar no ranking de 210 países no estudo sobre liberdades civis e políticas no mundo intitulado Liberdade no Mundo 2018 (Freedom in the World 2018, em inglês), divulgado nesta terça-feira (16).

A nota foi 78 em uma escala de 100. No relatório, a organização independente Freedom House alerta que "as profundas investigações de corrupção no Brasil atingem líderes por toda a região".

Países vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai, tiveram desempenho melhor. As notas foram 83, 94 e 98, respectivamente.

O indicador considera dois aspectos: direitos políticos e liberdades individuais. A primeira categoria inclui processo eleitoral, funcionamento do governo e pluralismo e participação. O segundo grupo diz respeito a liberdade de expressão e de crença, direitos de associação e organização, Estado de Direito e autonomia individual.

A classificação Brasil é a mesma de países com casos de corrupção na política, limites ao funcionamento partidário e a grupos de oposição e falhas nos processos eleitorais.

Já entres os fatores que limitam a liberdade civil estão baixa independência da imprensa, restrições a atividades sindicais e discriminação contra mulheres e grupos minoritários.

Democracia em queda

De acordo com a publicação, a democracia no mundo está em queda. A liberdade mundial caiu pelo 12º ano consecutivo em 2017.

A crise foi intensificada pelo rompimento de padrões democráticos nos Estados Unidos, especialmente desde a campanha eleitoral que elegeu Donald Trump, em 2016. O estudo destaca também o aumento da influência da China e da Rússia em restringir liberdades em territórios vizinhos.

"Vemos países que há apenas dez anos pareciam estar se tornando democracias fortes. Países como Turquia, Polônia, Venezuela e Hungria e estão retrocedendo", afirmou Michael Abramowitz, presidente da Freedom House. Ele destacou que a crise migratória tem levado líderes a restringir liberdades e direitos políticos e chamou atenção para ataques à imprensa e assassinatos de jornalistas.

Na América Latina, a pesquisa alerta sobre a posição do presidente Nicolás Maduro de permanecer no poder e para a crise humanitária que elevou o número de refugiados em países vizinhos. O país está na 164º posição no ranking.

Foram considerados não-livres 49 países, onde vivem 2,7 bilhões de pessoas, o equivalente a 37% da população global. Mais da metade vive na China. Nesse grupo, os com pior classificação são Síria (-1), Tibete (1), Sudão do Sul (1), Eritreia (3) e Coréia do Norte (3).

Os países parcialmente livres são 58 e abrigam cerca de 1,8 bilhão de pessoas, ou 24% do total mundial.

Já os livres são 88, onde residem mais de 2,9 bilhões de pessoas, ou 39% da população global. Os melhor classificados nesse grupo são Finlândia (100), Noruega (100), Suécia (100), Canadá (99) e Holanda (99).

Tiveram diminuição dos direitos políticos e das liberdades civis, 71 países, incluindo Turquia, Venezuela, Polônia e Tunísia. Desde o início da escalada de queda, em 2006, 113 países pioraram e apenas 62 melhoraram.

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