MULHERES
16/01/2018 15:07 -02 | Atualizado 16/01/2018 18:32 -02

9 passos para entender de uma vez por todas a diferença entre cantada e assédio

Se precisar, a gente desenha. 👍

Não é não.
NurPhoto via Getty Images
Não é não.

Qual o limite entre assédio sexual e cantada? Para alguns, a resposta é óbvia. Para outros, é complicado entender a diferença. As denúncias de assédio sexual, que começaram com a exposição dos crimes do produtor Harvey Weinstein, em Hollywood, ganharam o mundo e, no Brasil, levantaram a discussão sobre consentimento e assédio. Desde a noite de segunda-feira (15), a hashtag #cantadaXassédio traz exemplos que ajudam a entender de uma vez por todas quando a cantada já ultrapassou o limite.

Para esclarecer, primeiro uma definição do que é assédio, segundo o Código Penal:

O crime de assédio sexual consiste no fato de o agente constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.

Segundo a pesquisa Chega de Fiu Fiu, da ONG Think Olga, assédio sexual é:

Uma manifestação sensual ou sexual, alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Ou seja, abordagens grosseiras, ofensas e propostas inadequadas que constrangem, humilham, amedrontam.

De acordo com definição do dicionário Michaelis, cantada é uma:

Conversa hábil e cativante com que se tenta seduzir ou conquistar alguém. Tentar seduzir alguém com palavras ou frases galantes e envolventes; passar uma conversa em.

Ainda segundo o dicionário, paquerar é:

Flertar ou provocar alguém ao demonstrar-lhe interesse amoroso; azarar.

Na definição concreta parece claro mas, na prática, a barreira entre o que é um assédio, beirando a violência, e uma paquera consentida é constantemente confundida. Então, vamos explicar:

Muitas vezes o assédio aparece com "elogios" e até brincadeiras. E para aprender a identificar, é simples. Faça uma pergunta: se eu fosse um homem, isso estaria acontecendo comigo? porque eu estou desconfortável? Dependendo da resposta, existe alguma coisa errada.

E muitas vezes as mulheres se sentem tão acuadas que não chegam a demonstrar desconforto. É uma violência que paraliza.

Afinal...

O problema é tão sério, que 99,6% das mulheres brasileiras já afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio nas ruas, o que fez com que elas sentissem medo de passar por determinados lugares ou repensassem a roupa que usariam ao sair de casa.

O dado é da pesquisa Chega de Fiu Fiu, da ONG Think Olga.

E o motivo é claro:

Com a hashtag, a deputada Renata Abreu(Podemos), de São Paulo, aproveitou para dizer que "o assédio não pode ser tolerado em nenhum lugar" e lembrar que existe um projeto de lei que prevê pena de reclusão de 3 a 6 anos para quem molestar outra pessoa ou agir de forma ofensiva. O PL 8.476/2017 está em apreciação no plenário da Câmara.

E aqui, um lembrete da Defensoria Pública do Estado de São Paulo:

"É essencial que qualquer investida sexual tenha o consentimento da outra parte, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada".

E pra simplificar:

Investiu? Paquerou? Não foi paquerado de volta? É muito simples, mesmo:

É. É sério.

E muito simples:

Um não é um não. 😉