POLÍTICA
04/01/2018 10:17 -02 | Atualizado 04/01/2018 16:23 -02

7 fatos para ficar atento com a troca de comando no Ministério do Trabalho

Cristiane Brasil recebeu do pai, o delator do mensalão Roberto Jefferson, a missão de integrar a Esplanada de Michel Temer.

Cristiane Brasil é a nova ministra do Trabalho do governo Michel Temer.
Luís Macedo/ Câmara dos Deputados
Cristiane Brasil é a nova ministra do Trabalho do governo Michel Temer.

Publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (4), a nomeação da deputada licenciada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o cargo de ministra do Trabalho inicia algo que será rotina na vida do presidente Michel Temer até o fim de março: o troca-troca na Esplanada.

Listamos sete fatos para ficar de olho nessa primeira troca de 2018.

1. Reforma ministerial forçada

Cristiane Brasil não foi o primeiro nome da lista para assumir o posto deixado por Ronaldo Nogueira. Nem o segundo, nem o terceiro. A falta de opções só demonstra o drama que o presidente Michel Temer enfrentará até o prazo final para que os ministros interessados em disputar as eleições deixem os cargos.

Nos últimos 30 dias, o governo teve três baixas. A última, anunciada na quarta-feira (3), foi do então chefe da pasta de Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Pereira, presidente do PRB. Com dificuldade em reorganizar a base e em encontrar políticos dispostos a ficarem no cargo até 31 de dezembro, o Planalto ainda não sabe quem deverá assumir o cargo.

A mesma dificuldade deve se repetir mais de dez vezes nos próximos dias, afinal outros 14 dos 28 ministros planejam participar da disputa eleitoral.

2. Previdência

O deputado Ronaldo Nogueira, que comandava o Ministério do Trabalho, fazia questão de sutilmente se esquivar dos debates sobre a reforma da Previdência, que já estiveram sob o guarda-chuva da pasta e é alvo da maior resistência entre os políticos.

Diferentemente de Nogueira, Cristiane Brasil não tem se furtado do debate sobre a reforma. No mês passado, a então deputada chegou a se declarar indecisa sobre o apoio à proposta. Insatisfeito com o posicionamento da filha, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disparou: "Filha minha não vota contra a reforma".

3.Roberto Jefferson

Já que falamos sobre Roberto Jefferson, vale ficar atento aos passos do presidente do PTB. Jefferson, que foi o responsável por delatar o mensalão, negociou pessoalmente com o presidente Michel Temer a substituição do correligionário Ronaldo Nogueira.

O petebista, que fez o anúncio à imprensa com lágrimas nos olhos, disse acreditar que a nomeação da filha é um resgate à sua imagem. Envolvido no escândalo de corrupção, Jefferson foi condenado a sete anos de prisão e começou a cumprir a pena em 2014. Em 2016, ele teve a pena perdoada pelo STF.

4. Delação

Pesa contra a nova ministra de Temer o fato de ter sido citada na delação da Odebrecht. De acordo com depoimento do ex-diretor Leandro Andrade, Cristiane recebeu em 2012 R$ 200 mil para caixa dois de campanha.

Segundo o delator, a então candidata ao posto de vereadora no Rio de Janeiro foi pessoalmente buscar o dinheiro. Na época em que a delação veio à tona, em abril do ano passado, Cristiane disse que não havia nada a seu respeito senão "um comentário sem qualquer prova".

5. Contra decotes

Um dos projetos mais polêmicos de Cristiane Brasil é o que institui um dress code na Câmara dos Deputados. A proposta tem a intenção de barrar mulher com saia curta e decote. Para os homens, fica proibido o uso de chinelos. Tênis, quando permitido, deve ser limpo e discreto.

Em agosto de 2015, quando o projeto se tornou público, ela disse que a ideia era dar decide deferência ao Parlamento.

6. Suplente-problema

No lugar de Cristiane Brasil na Câmara dos Deputados assume o Nelson Nahim (PSD-RJ). Correligionário de Henrique Meirelles, Nahim é irmão do ex-governador Anthony Garotinho e, assim como o parente, também é ex-presidiário.

Em 2016, Nahim foi preso sob acusação de integrar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele negou o crime e foi solto meses depois graças a um habeas corpus concedido pelo STF.

7. Twitter

Se estamos falando sobre pais e filhos, os perfis de Cristiane Brasil e Roberto Jefferson no Twitter merecem um olhar carinhoso. Os dois são fãs da rede e podem dar pistas para fazer uma boa análise do cenário político de 2018. Segue aí @Dep_CrisBrasil e @blogdojefferson.

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