ENTRETENIMENTO
21/12/2017 12:00 -02 | Atualizado 21/12/2017 12:13 -02

Como a morte de um ídolo do K-Pop expõe a realidade da vida sob os holofotes da fama

Kim Jong-hyun, vocalista da boy band SHINee, sofria de depressão.

A morte repentina de um dos maiores pop stars da Coreia do Sul chama a atenção para a realidade dolorosa de como a fama pode custar caro à saúde mental.

Kim Jong-hyun, 27 anos, conhecido por seu nome artístico Jonghyun, era o vocalista da popular boy band de k-pop (pop sul-coreano) SHINee. Na noite da última segunda-feira (18) ele foi encontrado inconsciente em um apartamento em Seul e levado às pressas a um hospital, onde foi declarado morto.

Investigadores disseram que o cantor aparentemente morreu por ter inalado vapores tóxicos. A polícia divulgou comunicado oficial na terça-feira dizendo que se tratou de suicídio.

Um dia após a morte do cantor, um amigo íntimo de Jonghyun, Nine9, membro do grupo de k-pop Dear Cloud, compartilhou uma carta de despedida escrita por Jonghyun.

A carta teria sido entregue a Nine9 duas semanas antes da morte de Jonghyun e revela detalhes dolorosos da luta deste contra a depressão.

(Eles usaram uma foto tão linda, é assim que resolvi me lembrar de você, sorrindo)

"Eu estava quebrado por dentro", ele escreveu. "Sofri e me angustiei por isso. Nunca aprendi a transformar essa dor em felicidade. A depressão que me estava devorando aos poucos acabou por me consumir."

Jonghyun também escreveu sobre a pressão de ser uma celebridade. "A vida da fama não foi feita para mim", ele disse. "Todo o mundo só vive, só porque. Se você perguntar por que as pessoas morrem, provavelmente dirão que é porque estão exaustas."

A indústria de entretenimento sul-coreana é conhecida por sua cultura de trabalho incessante, com alto nível de pressão, segundo a "Variety". Devido às exigências mentais e físicas excessivas impostas às celebridades sul-coreanas, muitas figuras famosas já puseram fim à própria vida. Foi o caso do cantor Seo Ji-won, que morreu em 1994 aos 19 anos, e da atriz e cantora U'Nee, que faleceu aos 26 anos, em 2007.

A "Variety" observou que muitas celebridades sul-coreanas que se suicidaram deixaram cartas semelhantes criticando a pressão intensa exercida pelo setor do entretenimento no país e detalhando seus esforços para combater a depressão.

Alguns fãs esperam que a morte repentina de Jonghyun sirva como aviso não apenas à indústria do entretenimento, mas a todo o país, que precisa começar a encarar abertamente o problema da saúde mental.

(Descanse em paz Jonghyun do SHINee. Vou à Coreia com frequência e a depressão não é um tópico muito comentado. Terapia é quase um tabu devido à atitude nacional de "supere isso e bola para frente". Espero que isso sirva de alerta a toda a indústria de lá.)

(Eu não o conhecia pessoalmente, mas meus pensamentos e orações vão para Jonghyun e seus familiares/amigos. Espero também que isso chame a atenção para o fato de que a saúde mental é tão importante quanto a física. Se você ou alguém à sua volta precisa de ajuda, procure ajuda! Vamos disseminar o amor!)

"Não existe saúde mental na Coreia do Sul", disse este ano o profissional de saúde mental Jin-Hee, americano de origem coreana, falando à organização Forefront Suicide Prevention.

"Se a pessoa tem um problema de saúde mental, ela é vista como sendo 'fraca'. Pessoas com problemas de saúde mental são vistas como 'malucas' e se considera que elas precisam superar o problema, e pronto."

Isso se evidencia no caso de Jonghyun, cuja carta de despedida menciona que seu médico atribuiu sua incapacidade de superar a depressão à sua personalidade, o que levou a pensar que ele não foi feito para viver a vida sob os holofotes da mídia.

Outros fãs esperam que, além de chamar a atenção para a saúde mental, a morte de Jonghyun lembre às pessoas que os astros do k-pop (e as celebridades em geral) também são humanos.

(Os ídolos do k-pop são humanos e têm sentimentos)

Não são poucos os casos de celebridades fora do setor de entretenimento sul-coreano que sofrem de problemas de saúde mental. Em Hollywood, Robin Williams se suicidou em 2014, e, mais recentemente, o cantor Chester Bennington, do Linkin Park, se suicidou em julho.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost CA e traduzido do inglês.

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