VOZES
16/12/2017 16:31 -02 | Atualizado 16/12/2017 16:31 -02

O que não somos

"É preciso trazer de volta a razão de ser da política no Brasil, que permita o diálogo."

Cristovam Buarque: "A frustração gerou a raiva, mas a raiva não gera solução".
Sergio Moraes / Reuters
Cristovam Buarque: "A frustração gerou a raiva, mas a raiva não gera solução".

O próximo presidente eleito governará o país no segundo centenário da independência. Por trás do evento de quase 200 anos atrás esteve uma instituição que vem lutando para consolidar a nossa liberdade – a Maçonaria, que comemora 300 anos de fundação da Grande Loja e os 180 anos do Grande Colégio de Ritos para o Brasil e os Unidos da Inglaterra.

A Maçonaria atuou fortemente pela independência do Brasil, em 1822, lutou pela abolição da escravidão, em 1888, e pela proclamação da República, no ano seguinte. Apesar disso, tantos anos depois, não completamos a nossa independência, muitos brasileiros ainda aguardam a abolição e a República parece estar sem rumo.

Não somos independentes, porque dependemos inteiramente de conhecimento importado. Não abolimos plenamente a escravidão, porque nossas crianças não têm escolas iguais – e a abolição de hoje se chama conhecimento. Não somos uma República, porque a elite brasileira continua a ter privilégios, talvez mais ainda do que os nobres do tempo do Império.

A República se ressente da frustração com o estelionato eleitoral e com a corrupção. A frustração gerou a raiva, mas a raiva não gera solução. A ira não constrói uma nação. É preciso trazer de volta a razão de ser da política no Brasil, que permita o diálogo.

A Maçonaria tem um desafio agora - completar a tarefa que iniciou dois séculos atrás: ajudar a trazer de volta à política a razão, no sentido de propósito – como concluir a construção da nossa República - e no sentido da lógica – a política com cérebro, não com o fígado, com diálogo, não com sectarismo.

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