ENTRETENIMENTO
16/12/2017 16:51 -02 | Atualizado 16/12/2017 16:51 -02

Os 18 melhores filmes de 2017

De escapismo escrachado a romances cheios de sensibilidade, estes são os filmes imperdíveis deste ano.

Gabriela Landazuri Saltos/HuffPost

O ano cinematográfico começou quando Allison Williams segurou aquela chave de carro em "Corra!". No mesmo fim de semana em que o filme de horror e sátira de Jordan Peele virou fenômeno instantâneo, "Moonlight – sob a luz do luar" arrebatou o troféu de Melhor Filme que se pensava que ficaria com "La La Land". Foi um momento caótico e emocionante que pressagiou o que estava por vir: uma leva de filmes que fariam uma descrição presciente do clima nacional americano caótico e nada animador. É claro que, em vez disso, alguns desses filmes nos proporcionaram momentos de alívio bem-vindos, deixando-nos gargalhar, nos comover ou gritar para escapar de nossos males coletivos.

Ao todo, este foi um ano fantástico para o cinema, apesar de os grandes blockbusters de Hollywood se mostrarem cada vez menos confiáveis. Trabalhando com muitos gêneros, os diretores capturaram instantâneos de humanidade cheios de elegância: histórias de amor gay, deliciosas guerras dos sexos, depoimentos sobre a superação de adversidades, odes a outras espécies, meditações sobre fantasmas irreverentes envoltos em lençóis. Quem sabe onde procurar encontrou a magia do cinema em toda parte, não obstante os horrores que vieram à tona sobre a indústria que o produz.

Assisti a quase tudo e tenho o grande prazer de apresentar mais um ranking dos melhores filmes do ano. Trata-se, é claro, de uma lista subjetiva, cheia de omissões. Mas espero que as recomendações que faço a seguir lhe divirtam ou consolem. Assistir a cada um destes filmes (em muitos casos, mais de uma vez) me proporcionou momentos mágicos, e espero que o mesmo se repita com você.

  • 18 "Artista do Desastre"

    A24
    Qual aspecto de "Artista do Desastre" faz sentido para você? O ressurgimento de James Franco que acompanhou o filme? O pedacinho bizarro de história de Hollywood que o filme retrata? A comédia sobre uma dupla de amigos que está à base da história? Seja qual for, este relato de bastidores sobre Tommy Wiseau, o legendário diretor cult responsável por "The Room", é a experiência cinematográfica mais contagiante do ano. Seu humor envolve a plateia, e as piadas não são esquecidas. James Franco supera o que se espera de uma performance comum em um filme biográfico, reinterpretando Tommy como um excêntrico inveterado cujo sotaque inidentificável do leste europeu tem um quê de atraente. É claro que Wiseau não se resume a isso, mas "O Artista do Desastre" peca por excesso de afeto por seu protagonista. Tudo bem –é um exemplo de como o cinema pode ser pura e simplesmente divertido.
  • 17 "Doentes de amor"

    Amazon Studios
    Em termos de filmes que é um prazer enorme assistir, seria difícil superar "Doentes de Amor". Anunciando uma nova era para as comédias românticas, esta dramatização semiautobiográfica da história de amor intercultural de Kumail Nanjiani e sua esposa Emily V. Gordon é alegre, ágil, mas com uma melancolia pungente em seu cerne. É ao mesmo tempo um retrato da experiência imigrante na América, um depoimento sobre o amor jovem e uma visão divertida do cabo de guerra existente no interior das famílias. "Doentes de amor" conta ainda com Holly Hunter (fogosa, amorosa, bêbada) e Ray Romano (pensativo, desperta nossa simpatia) como os melhores pais do ano na tela grande.
  • 16 "Mãe!"

    Paramount Pictures
    Você pode achar "Mãe!" uma provocação fascinante ou uma bobagem irritante, mas todos podemos concordar que é o filme mais eletrizante do ano em matéria de proporcionar um tópico de discussão. A Paramount lançou o trabalho enigmático de Darren Aronovsky em 2.400 cinemas nos EUA – muitos demais para essa alegoria sobre religião, ecologia, o processo artístico, a discordância entre marido e mulher e invasões residenciais, um filme que é impossível definir em qualquer gênero. Com Javier Bardem, Jennifer Lawrence na melhor atuação de sua carreira, Ed Harris e Michelle Pfeiffer, "Mãe!" começa rastejando experimentalmente e cresce até chegar a uma intensidade febril que é tão exasperante quanto animadora. Maravilhoso. Não deixe de reforçar as pias de sua casa.
  • 15 "Star Wars: os últimos jedi"

    Disney
    O maior prazer que nos proporciona a nova trilogia "Star Wars", tirando os porgs, é assistir aos encontros ou reencontros dos personagens. "Os últimos jedi" tem encontros e reencontros de sobra, além de algumas despedidas, e tudo isso fará você se assustar, aplaudir, chorar ou perder o fôlego de maneiras que apenas esta franquia é capaz de realizar. É fácil entender por que a Disney encarregou o diretor Rian Johnson da criação da nova trilogia: ele tem uma visão apurada dos detalhes visuais e uma percepção arguta do humor dos personagens. A galáxia muito distante está ganhando um upgrade elegante.
  • 14 "Planeta dos macacos: a guerra"

    20th Century Fox
    Não estava previsto que os filmes sobre os macacos saíssem tão bons, mas, não sabemos bem como, "Planeta dos Macacos: A Guerra" é ainda mais existencial e emocionante que seus dois predecessores. Nas montanhas nevadas da Sierra, nosso herói gentil (Andy Serkis) travou as etapas finais de uma batalha que contrapôs os humanos a uma espécie de símios que nunca quiseram outra coisa senão a paz. Evocando "Apocalypse Now", o gênero western e o Livro do Êxodo, a trilogia excepcional de Matt Reeves prova que franquias de Hollywood podem captar a visão discreta de um diretor e mesmo assim serem revigorantes e coreografadas.
  • 13 "Trama Fantasma"

    Focus Features
    À primeira vista, "Trama Fantasma" parece ser apenas mais um filme sobre um artista cheio de exigências e sua musa subserviente. Então Paul Thomas Anderson arranca a capa da fachada luxuosa da história, convertendo-a em uma comédia romântica improvável, ao mesmo tempo intimista e grandiosa. É um retrato das idiossincrasias estranhas da vida de casal: um toque de melodrama sedoso aqui, um pouco de sadomasoquismo inesperado ali. O filme evolui ao longo de suas duas horas de duração, dando a Anderson sua obra mais magistral desde "Sangue Negro", a outra colaboração inteligente do diretor com Daniel Day-Lewis, que nos fará muita falta se seu afastamento anunciado do cinema se concretizar.
  • 12 "Visages, Villages" ("Faces Places")

    Cohen Media Group
    Os filmes que colecionam críticas positivas no final do ano tendem a ser trabalhos sombrios e profundos que mergulham fundo nas verdades da humanidade. "Visages, Villages" chega ao mesmo resultado final sem ser sombrio ou pesado. É irresistível, simplesmente. A diretora Agnès Varda, virtuose da Nouvelle Vague francesa, e o fotógrafo JR formam uma dupla divertida e leve, que atravessa as planícies menos glamurosas da França para captar retratos realistas de pessoas comuns deixando suas pequenas marcas sobre o ambiente em que vivem. Um pouco como fez "Cameraperson" no ano passado, este documentário parece se encontrar à medida que avança. Cada parada na viagem de Varda e JR pelo país os coloca diante de exemplos de trabalho árduo, envelhecimento inevitável e apreciação improvável das coisas simples da vida. Em um ano repleto de horrores, "Visages, Villages" é puro deleite.
  • 11 "The Post – a guerra secreta"

    20th Century Fox
    Muito já foi dito e ainda será dito sobre a habilidade artesanal à moda antiga que Steven Spielberg conserva nesta quinta década de sua carreira. "The Post – a guerra secreta" estaria em casa, no melhor sentido possível, com um punhado de filmes da década de 1970, e não apenas porque guarda semelhanças com "Todos os Homens do Presidente". É raro que um filme sobre um processo pareça tão vivo quanto este – neste caso, o processo seguido pelo jornal "The Washington Post" para divulgar os Papéis do Pentágono, até então secretos. Não tem importância o fato de os personagens, como Kay Graham (Meryl Streep) e Ben Bradlee (Tom Hanks), proclamarem os temas do filme tão abertamente que é como se estivessem falando em megafones. Spielberg e companhia decidiram em março fazer o filme com urgência; nove meses apenas mais tarde, os resultados são uma ode retumbante à livre imprensa, aos locais de trabalho justos e a profissionais do jornalismo que não têm medo de correr riscos.
  • 10 "Uma mulher fantástica"

    Sony Pictures Classics
    Num dia especialmente inclemente, a heroína de "Uma mulher fantástica" caminha num vendaval tão forte que ela mal consegue se manter ereta. Ela se inclina para frente durante uma rajada de vento, sem poder se mexer, enquanto detritos voam pelo ar e uma ária faz o fundo musical da cena. É um dos muitos interlúdios surreais neste melódico drama chileno sobre uma cantora de ópera transgênero que não se deixa vitimar pela adversidade. Daniela Vega domina a cena como a protagonista da história, que enfrenta a morte inesperada de seu namorado, cuja família não a deixa acompanhar seu enterro. Algo que começa como uma história de tristeza e dor acaba como uma reflexão belíssima e inspiradora sobre o processo de superação que torna uma mulher mais forte, mais fantástica.
  • 9 "O estranho que nós amamos"

    Focus Features
    Sofia Coppola repetiu a dose. Em "O estranho que nós amamos", ela reveste uma comédia de costumes de um toque de horror gótico sulino. As heroínas são uma tribo de mulheres carentes de companhia masculina que cuidam de um militar ferido das forças da União num internato feminino da era da Guerra Civil que tem a sorte de ter Nicole Kidman como sua diretora. Dos seis filmes dirigidos por Coppola até agora, este é o que mais segue uma trama e obedece a um gênero, mas a cineasta lança mão de sua introversão habitual, captando a repressão das personagens e o vagar ensolarado do lugar, acrescidos da fala mais engraçada do ano, dita em um tom de delírio: "Traga-me o livro de anatomia, Edwina".
  • 8 "God's Own Country"

    Samuel Goldwyn Films
    A vida rural nunca foi tão excitante quanto vemos aqui. Nas planícies bucólicas da região de Yorkshire, no norte da Inglaterra, um rapaz reprimido (Josh O'Connor) precisa cuidar das terras de seu pai, e as únicas atividades que o distraem da repulsa que sente por si mesmo são bebedeiras e sexo furtivo. "God's Own Country" é um "Segredo de Brokeback Mountain" sem o melodrama. Um trabalhador migrante romeno (Alec Secareanu) chega à fazenda para ajudar na temporada de nascimento dos carneiros novos e acaba mergulhando o protagonista em um romance inesperado. Tudo no filme de Francis Lee – desde os olhares tácitos até a fornicação na lama – acontece de modo comedido, como se tivesse dado ouvido à voz interior calada dos personagens e anunciado que eles finalmente foram ouvidos.
  • 7 "A Ghost Story"

    A24
    "A Ghost Story" pode atrair comparações com Terrence Malick, Virginia Woolf, "Boyhood – da infância à juventude" e "Contos da lua vaga", mas é uma façanha singular que não requer antecedentes. A balada sempre elíptica e às vezes sem palavras de David Lowery fala do luto, do passar do tempo e dos papéis que exercemos na vida de nossos companheiros mais íntimos. Os conflitos cotidianos do casal central acabam quando o marido (Casey Affleck) morre em um acidente de carro, retornando como fantasma coberto de lençóis que fica perambulando pela casa que dividia com sua mulher (Rooney Mara). A partir desse ponto o filme vaga pelo tempo, investigando com suavidade o que acontece com a alma após a morte do corpo que ela habitava. "A Ghost Story" não se propõe a dar respostas às grandes perguntas da vida, mas, em vez disso, encontra a paz na procura por significado. Dá para perceber que é um conceito difícil de descrever? Sim, e o filme é melhor por isso. Poucas vezes já vimos a vida após a morte ser explorada com tanta graça divina e ímpar.
  • 6 "Lady Bird – a hora de voar"

    A24
    Visto superficialmente, "Lady Bird" é uma história simples sobre o amadurecimento de uma estudante da última série do secundário (Saoirse Ronan) que tem sede de viajar. Faz parte de um gênero que muitas vezes dá a impressão de já haver se esgotado, mas Greta Gerwig foi buscar em sua própria biografia, vivida em Sacramento, a inspiração para uma visão comovente dos encontros e desencontros entre mãe e filha, da desilusão da classe média e da liberdade agridoce da jovem que se torna adulta. As brincadeiras parecem cantar, assim como adolescentes encenando uma produção escolar de "Merrily We Roll Along", de Stephen Sondheim. O fato de podermos estar na plateia de ambos é uma das boas coisas que 2017 nos proporcionou.
  • 5 "Corra!"

    Universal Pictures
    Se algum filme deste ano foi um verdadeiro fenômeno, foi "Corra!", a sátira cortante de Jordan Peele sobre mentes brancas que tomam posse de corpos negros. Com sua parábola sobre raça, Peele também desconstruiu o gênero do horror, usando seus tropos para assustar a plateia. Rimos porque sabíamos como um terror convencional se desenrolaria, e isso nos deixou ansiosos, com todos aqueles liberais aparentemente tão bem-intencionados na realidade pretendendo fazer algo de muito grave. Em uma atuação marcante, David Kaaluya faz um fotógrafo da cidade grande que vai conhecer a família rica de sua namorada branca. Para melhor ou para pior, "Corra!" marcou o pontapé inicial da América pós-Obama.
  • 4 "Okja"

    Netflix
    Quer você assista na tela grande ou pequena, "Okja" é maravilhoso. Filmes sobre animais de estimação são uma aposta certeira em Hollywood, mas raramente são tão amplos e bem observados. Da florida Coreia do Norte à industrial Nova York, a viagem que a jovem Mija (Ahn Seo-hyun) encara para recuperar a super porca que é sua melhor amiga topa com empresários ávaros, ativistas militaristas e mídia frenética. O diretor Bong Joon-ho clareia os subtons distópicos que definiram seus filmes anteriores "Expresso do Amanhã" e "Gwoemul – O Hospedeiro", ficando com algo que é agradavelmente otimista. Ao mesmo tempo, compõe uma aventura emocionante, fotografada com grande brilho por Darius Khondji. É bem assim que deveriam ser os blockbusters de verão.
  • 3 "A forma da água"

    Fox Searchlight
    Guillermo del Toro trai seu lado sensível com "A Forma da Água", fascinante história de amor entre uma zeladora muda (Sally Hawkins) em Baltimore na época da Guerra Fria e um misterioso homem-peixe amazonense (Doug Jones) sequestrado para ser pesquisado pelo governo. Apenas um mestre poderia tornar tão esplêndido este soneto entre duas espécies distintas. Com um clima de época e um elenco (Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg) que se encaixa como peças de um quebra-cabeça, este trabalho brilhante converte a condição de "outro" em um conto de fadas. Belíssimo.
  • 2 "Projeto Flórida"

    A24
    Sean Baker ficou conhecido como diretor com "Tangerine", de 2015, uma comédia tempestuosa de visual fantástico, apesar de ter sido filmada com iPhones com um elenco amador. Ele foi ainda além com "Projeto Flórida", uma pequena joia que também conta uma história sobre marginalização. Uma mãe sem dinheiro (Bria Vinaite, descoberta no Instagram) e sua filha desbocada de 6 anos de idade (Brooklynn Prince) passam o verão num hotel barato perto da Disney World. Aventuras viram desventuras, e as cores vibrantes da hora mágica se desvanecem quando o futuro delas bate de repente em sua porta violeta. Essa história nitidamente americana sabe encontrar tesouro no meio do que alguns descreveriam como lixo: com um borbulho de alegria fantasiosa.
  • 1 "Me chame pelo seu nome"

    Sony Pictures Classics
    Uma ou duas vezes por ano aparece um filme que eu adoro tanto que ele penetra em minha alma. Foi o que senti em relação a "Jackie" no ano passado e a "Carol" e "Mad Max: Estrada da Fúria" no ano anterior. O único paralelo em 2017 é "Me chame pelo seu nome", o romance mais terno que já passeou pela tela. Durante um verão fértil na paisagem campestre italiana, nasce uma história de amor, primeiro em gestos furtivos e finalmente com euforia profunda. Timothée Chalamet teve a melhor performance do ano, representando um rapaz estudioso de 17 anos que aceita com prazer a chance de acompanhar um estudante mais velho (Armie Hammer) como seu guia turístico. A relação entre eles vai se construindo lentamente, sensualmente, pouco a pouco. A vida não passa de um sonho nesta adaptação de um romance célebre de André Aciman, dirigida por Luca Guadagnino e escrita por James Ivory, que tratam o relacionamento central como uma balada de Sufjan Stevens. Desde as imagens iniciais férteis até o close deslumbrante que conclui o filme, "Me chame por seu nome" é uma experiência delicada e deslumbrante, como um sonho melancólico que nos envia flutuando para um futuro encantado que ainda não foi escrito.

Menções honrosas:

  • "120 batimentos por minuto" (direção de Robin Campillo)
  • "Colossal" (direção de Nacho Vigalondo)
  • "Viagem das garotas" (direção de Malcolm D. Lee)
  • "Bom comportamento" (direção de Josh Safdie e Benny Safdie)
  • "Gatos" (direção de Ceyda Torun)
  • "Z – a cidade perdida" (direção de James Gray)
  • "The Lovers" (direção de Azazel Jacobs)
  • "Os Meyerowitz: família não se escolhe" (direção de Noah Baumbach)
  • "Mudbound – lágrimas sobre o Mississippi" (direção de Dee Rees)

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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