COMPORTAMENTO
12/12/2017 10:49 -02 | Atualizado 12/12/2017 10:49 -02

11 maneiras de manter a saúde mental em meio à onda de denúncias de assédio sexual

Se você se sente afetada por todos os relatos sobre assédio sexual, saiba que não está sozinha.

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Muitas das notícias que vieram à tona nas últimas semanas sobre assédio e agressão sexual não têm sido fáceis de engolir para ninguém. Mas podem ser especialmente doídas para quem já foi vítima de abuso ou violência sexual.

Esses relatos, envolvendo desde Harvey Weinstein até Matt Lauer, estão criando uma discussão internacional importantíssima sobre o tema. É uma coisa positiva, em última análise, mas, segundo especialistas, não deixa de encerrar consequências para a saúde mental das pessoas.

"O trauma sexual pode fazer você ficar atolado e mudar como você vive sua vida", disse Gina Scaramella, diretora executiva do centro de atendimento a vítimas de estupro da área de Boston, em e-mail ao HuffPost. "Não é uma coisa trivial. As pessoas gastam energia e tempo enormes no esforço de superar esse trauma. É uma coisa que pode provocar vergonha, medo, tristeza e fúria."

Como os relatos da mídia sobre os casos de assédio sexual estão em toda parte, esses efeitos sobre a saúde mental de vítimas podem ser quase impossíveis de evitar. E, como muitas pessoas ainda assim querem ser defensoras das vítimas, elas acham que precisam acompanhar todas as notícias, apesar de ser importante cuidarem delas mesmas.

O HuffPost conversou com especialistas sobre maneiras de enfrentar o ciclo infernal de notícias ligadas a assédio e agressão sexual. Veja abaixo algumas coisas que você pode fazer para cuidar de si mesma, ao mesmo tempo em que continua a militar contra o assédio sexual.

1. Deixe as últimas notícias de lado por um tempinho.

(Obviamente vai ser um dia cheio de notícias, então proteja sua energia. Preste atenção, mas tome o tempo que precisar [para cuidar de você mesma].)

Tirar um dia de folga das redes sociais de vez em quando pode ajudar as pessoas a prestarem atenção a seu próprio bem-estar, segundo Kathryn Stamoulis, psicóloga licenciada para trabalhar com problemas de saúde mental e especializada em questões de mulheres. Fazer um esforço para não olhar seu telefone antes de dormir ou logo que você acorda pela manhã também pode ajudar.

"Nunca antes na história humana passamos por um período como este, quando não temos descanso das notícias que nos fazem sofrer e dos acontecimentos mundiais que nos apavoram", disse Stamoulis ao HuffPost por e-mail. "Precisamos nos proteger, e a única maneira é nos desconectarmos de vez em quando."

2. Revele apenas o que você se sente à vontade em revelar.

Se você se abstiver de compartilhar publicamente o que aconteceu com você, isso não fará sua experiência ser menos real ou menos importante.

"Contribuir para a luta com sua voz não quer dizer que você precise compartilhar o que você mesma sofreu", disse Stamoulis. "Se expor-se nas redes sociais (portanto, a colegas, familiares, conhecidos) não lhe parecer a melhor opção, não o faça."

3. Apoie as vozes de outras pessoas

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"Você pode ser defensora apoiando outras pessoas que compartilham suas experiências, curtindo os posts delas, retuitando e enviando uma mensagem particular de apoio", disse Stamoulis.

Para Scaramella, esse conselho pode ser especialmente útil para pessoas que trabalham como voluntárias em entidades de apoio a vítimas de agressão sexual.

"Os funcionários e voluntários dessas organizações estão sofrendo estresse intenso. Saber que a comunidade se importa com o problema dele pode ajudar mais do que você imagina", ela disse. "Você pode enviar um e-mail, postar algo nas redes sociais ou enviar uma cartinha de apoio."

4. Saiba que essa discussão vai continuar por algum tempo

Sempre haverá tempo de manifestar-se por essa causa. Não se sinta pressionada a fazê-lo neste momento se você não estiver preparada agora.

"É ótimo saber que finalmente estão acreditando nas vítimas e que os perpetradores públicos estão começando a sofrer consequências. Mas o assédio e a violência sexual vão continuar a ser um problema que precisa ser combatido por muito tempo ainda", opinou Stamoulis. "Portanto, dê-se uma folga; a causa ainda vai estar ali quando você estiver preparada para encará-la."

5. Considere outras causas que você poderia apoiar.

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"A questão do assédio sexual está recebendo muita atenção no momento. Se você gostar da ideia de voltar sua atenção a outra causa (levar cães abandonados para passear, cuidar do meio ambiente, levar refeições a idosos), com certeza ela será muito necessária e muito apreciada", disse Stamoulis.

Pesquisas revelam que o trabalho voluntário pode melhorar nosso estado de ânimo; logo, pode ser uma maneira de cuidarmos de nós mesmos também.

6. Lembre que não há um jeito "errado" de se sentir.

Raiva, tristeza, felicidade ou alívio, tudo isso são reações muito normais às notícias que andamos lendo nos jornais.

"Ouvi algumas vítimas dizendo que sentem inveja ou amargura porque agora as pessoas estão acreditando em vítimas que fazem denúncias, sendo que quando isso aconteceu com elas, ninguém acreditou", comentou Stamoulis. "Não importa o que você esteja sentindo, tudo bem. Não há nada de que se envergonhar. Nada disso é sinal de fraqueza."

7. Vá fazer uma caminhada ou um pouco de exercício físico.

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Movimentar o corpo traz grandes benefícios. Pesquisas revelam que praticar uma atividade física leve, como caminhada, pode ajudar a melhorar o estado de ânimo e aliviar sintomas de saúde mental. Tente sair ao ar livre para intensificar o efeito positivo.

8. Aprenda a reconhecer sinais de TEPT ou trauma que podem se manifestar

Segundo Stamoulis, se você sofre de transtorno de estresse pós-traumático, uma nova reportagem sobre assédio ou agressão, mesmo que não se assemelhe ao que aconteceu com você, pode provocar em você uma reação psicológica forte que pode vir acompanhada de sintomas dolorosos.

"Pode haver medo extremo, ansiedade, pesadelos, transpiração e palpitações cardíacas", ela disse. "Um relato ouvido um dia pode não desencadear essa reação, mas o próximo relato, sim, por alguma razão."

9. Quando isso acontecer, converse com alguém em quem você confia

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Procure amigos, familiares ou colegas de trabalho em quem você sabe que pode se apoiar, quando estiver se sentindo estressada.

"Você sempre merece receber apoio, quer a agressão contra você tenha acontecido há cinco minutos ou 50 anos", disse Scaramella.

10. Não passe por cima de suas emoções

Talvez você ache mais fácil simplesmente evitar sentir qualquer emoção em relação a esse assunto, mas é importante trabalhar com suas emoções.

"Pode ser útil reconhecer que essa é uma parte negativa de seu passado, e não simplesmente tentar ignorar as emoções ou memórias que você não superou completamente", disse Stamoulis.

11. Procure a ajuda de um profissional de saúde mental

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Se você anda tendo sentimentos prolongados de ansiedade, estresse ou sintomas como vontade de chorar ou de se isolar, procure o apoio de um médico. Ele poderá ajudá-lo a entender suas emoções complexas e assim se sentir melhor.

Em última análise, cuidar de seu próprio bem-estar é crucial para ajudar no combate ao assédio e agressão sexual.

"Pode soar falso, mas, de verdade, cuidar de você mesma é defender essa causa. É ser uma defensora de você mesma, e, na realidade, esse é o começo para se combater o assédio", disse Scaramella.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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