MUNDO
02/10/2017 10:01 -03 | Atualizado 02/10/2017 10:13 -03

O que acontecerá com Catalunha agora que o referendo de independência foi aprovado

Região prepara declaração de independência, mas primeiro-ministro Mariano Rajoy não reconhece separação. Neste domingo, mais de 800 pessoas ficaram feridas.

Estudantes protestam contra violência em plebiscito de independência da Catalunha.
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Estudantes protestam contra violência em plebiscito de independência da Catalunha.

Em um dia marcado pela violência policial, o governo da Catalunha declarou neste domingo (1º) a vitória de seu plebiscito separatista com 90,09% dos votos favoráveis à independência e 7,87% contrários —o restante votou em branco ou nulo.

Apesar do resultado da consulta da qual participaram 2,2 milhões de pessoas, ainda há uma impasse sobre o futuro da região, uma vez que o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy não reconhece separação.

Após a divulgação dos números das urnas, o presidente da comunidade autônoma, Carles Puigdemont, afirmou que o Parlamento da região preparará a declaração de independência. Inicialmente, o plano era declarar a independência em até 48 horas.

Os cidadãos da Catalunha ganharam o direito a ter um Estado independente que se constitua em forma de república. Em consequência, o governo levará nos próximos dias ao Parlamento, sede e expressão da soberania de nosso povo, os resultados do dia de hoje para que atue de acordo com a lei do plebiscito.

Rajoy, por sua vez, não reconheceu, em pronunciamento, o plebiscito e afirmou que a votação foi uma "chantagem de poucos" e a maioria do povo catalão não participou. "Nosso Estado de Direito mantém sua força e permanece em vigor, reagindo frente a quem quer subvertê-lo", afirmou. O Tribunal Constitucional da Espanha já havia declarado a consulta inconstitucional.

Nesta segunda-feira (2), o primeiro-ministro irá se reunir com dirigentes de seu partido e representantes de legendas com representação parlamentar em busca de uma solução. Ele receberá Pedro Sánchez, do PSOE, e Albert Rivera, do Ciudadanos. O chefe do Executivo também deve comparecer ao Congresso para debater a questão.

Rivera defende a aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola para suspender a declaração de autonomia. De acordo com ele, Rajoy deve tomar essa decisão antes de a declaração catalã ser escrita.

Agentes da Guarda Civil e da Polícia Nacional invadiram colégios eleitorais neste domingo para impedir a consulta popular e entraram em confronto com cidadãos, deixando mais de 800 feridos, segundo o governo catalão. Puigdemont pediu para a Europa "parar de ignorar" a crise catalã e as "violações dos direitos humanos".

Segundo autoridades catalãs, cerca de 750 mil votos não puderam ser contabilizados porque as urnas foram confiscadas pela Guarda Civil espanhola.

O comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, disse ter ficado "abalado pelas cenas de violência" e pediu que as autoridades espanholas abram uma investigação.

A União Europeia, por sua vez, havia pedido que a Catalunha respeitasse a decisão do Tribunal Constitucional. Nenhum país apoiou diretamente a consulta, além da Venezuela. Nesta segunda, a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE, por sua vez, pediu diálogo entre o governo central e a Catalunha pela busca da unidade do país.

A Catalunha é uma das 17 comunidades autônomas espanholas, com cultura e uma língua próprias (o catalão), assim como acontece, por exemplo, com o País Vasco e a Galícia. A população da região é de aproximadamente de 7,5 milhões de habitantes (15% da população espanhola) e responde por quase 20% do PIB do país.

Uma legislação de 2006 garantiu mais poder ao governo regional, quando a Catalunha adquiriu o status de "nação", contudo, essa categoria foi revertida em 2010 pela Corte Constitucional espanhola.

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