ENTRETENIMENTO
30/05/2017 17:07 -03 | Atualizado 30/05/2017 17:20 -03

Esta é a 1ª vez em 15 anos que a Flip será mais negra e feminina

Evento literário acontece entre os dias 26 e 30 de julho, em Paraty (RJ).

Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira de Almeida, Scholastique Mukasonga, Ana Maria Gonçalves.

Estes são alguns dos nomes de mulheres escritoras que estarão em destaque na programação da Flip 2017. Com a jornalista e especialista em literatura Josélia Aguiar no comando, o evento deste ano terá, em sua programação, um número de autoras supera o de autores.

Divulgação
A escritora mineira Conceição Evaristo é uma das convidadas da Flip 2017.

Esta é a primeira vez em 15 anos que o evento consegue trazer um número maior de mulheres do que homens entre seus convidados e também a primeira vez em dez anos que a feira tem uma mulher como curadora. Neste ano, serão 22 mesas com 46 autores, dos quais 22 são homens e 24 são mulheres.

Segundo o UOL, em conversa com jornalistas nesta terça (30), Josélia disse que procurou um diálogo com os movimentos sociais para buscar diversidade e representatividade nesta edição.

"Foram dois movimentos paralelos de ativismo. Precisamos repensar a representatividade nestes eventos. Não dá mais para ter uma programação toda de homens brancos, com uma mesa de mulheres, uma de negros, uma de indígenas"

E parece que deu certo.

Mesmo com ainda pouca representatividade, segundo a origanização, além do homenageado Lima Barreto, autor de livros icônicos da literatura nacional como O Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Homem Que Sabia Javanês, o evento deste ano terá 30% de autores negros na programação entre homens e mulheres.

Reprodução
Lima Barreto aos 33 anos em sua primeira internação no Hospício Nacional.

A escolha de Barreto cumpre um desejo antigo de Joselia Aguiar - que há três anos promoveu uma campanha para que ele fosse escolhido. E também atende a uma demanda que chegou a seu ápice na edição de 2016 Flip. À época, o então curador do evento, Paulo Werneck, mesmo homenageando a poeta Ana Cristina Cesar, foi amplamente criticado pela a ausência de mulheres e negros.

Segundo a Revista CULT, Josélia disse:

"Estamos trazendo autores que há muito tempo já poderiam ter vindo, mas que talvez por fugirem do padrão e por trabalharem com editoras independentes não vieram. São autores que estão aí já presentes, e que a gente pode redescobrir. É como entrar numa livraria e ir ali para baixo na prateleira, ou então em cima – e não apenas ver o que está só ali na frente como proposta"

Ainda de acordo com o UOL, a curadora ainda conseguiu firmar uma parceria com o Grupo Intelectuais Negras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para o lançamento do projeto Intelectuais Negras, um catálogo de informações biográficas e profissionais de mulheres.

Os ingressos custarão R$ 55 e começam a ser vendidos no dia 13 de junho.

Você pode ver a programação completa clicando aqui.

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