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24/03/2017 16:55 -03 | Atualizado 24/03/2017 17:06 -03

Recall das Carnes: Consumidores de produtos de 3 frigoríficos serão ressarcidos

Secretaria Nacional do Consumidor determinou recolhimento de carnes onde foram constatadas irregularidades como risco à saúde pública

Uma semana após Operação Carne Fraca, Secrataria do Consumidor determina recall de produtos de três frigoríficos.
Levi Bianco via Getty Images
Uma semana após Operação Carne Fraca, Secrataria do Consumidor determina recall de produtos de três frigoríficos.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, determinou o recolhimento de carnes de três frigoríficos paranaenses citados na Operação Carne Fraca.

A ordem atinge os frigoríficos Souza Ramos, em Colombo (PR); Transmeat, em Balsa Nova (PR); e Peccin, em Curitiba (PR).

As unidades tem até cinco dias para recolher os produtos dos estabelecimentos comerciais. A Senacon determinou também o "devido reembolso ao consumidor, daquilo que for por ele restituído aos pontos de venda".

A decisão divulgada nesta sexta-feira (24) tem como base o resultado das auditorias feitas pelo Ministério da Agricultura (Mapa) nos 21 frigoríficos investigados. Três foram interditados e as exportações de todos foram suspensas.

Foi identificado que o estabelecimento da Souza Ramos "não detém controle dos processos relacionados a formulação e rastreabilidade de seus produtos não garantindo a inocuidade dos produtos elaborados", de acordo com o Mapa.

Foram detectados problemas de rastreabilidade também na unidade da Transmeat e "suspeita de risco à saúde pública ou adulteração" no frigorífico da Peccin.

Este é citado na Operação da Polícia Federal como "capaz de causar náuseas". As irregularidades relacionadas à empresa foram confirmadas por Daiane Marcela Maciel, Joyce Igarashi Camilo e Vanessa Letícia Charneski em declarações aos investigadores.

De acordo com Daiane, auxiliar de inspeção da empresa entre agosto de 2013 e setembro de 2014, foram usadas quantidades de carne muito menor do que a necessária na produção de seus produtos, complementados com outras substâncias, carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças, e feita 'maquiagem' de carnes estragadas.

Ela também relatou produtos sem rotulagem e sem refrigeração e falsificação de notas de compra de carne. Em seu depoimento, Joyce afirmou que "sequer chegou a existir a entrada real de carne na empresa, exceto os carregamentos de carne estragada que presenciou a empresa receber".

A Senacon notificiou as empresas JBS, BRF, Peccin, Larissa, Mastercarnes e Souza Ramos, todas citadas pela Polícia Federal.

Foi determinado que as empresas esclaressem os fatos e indicassem os lotes de produtos adulterados, o tipo de adulteração envolvida, as quantidades, data de fabricação e validade dos produtos afetados.

A Secretaria também aguarda informações da Anvisa sobre ações de fiscalização no comércio feita por equipes de vigilância sanitária de estados e municípios, incluindo coletas de amostras e análises laboratoriais.

O órgão do consumidor - responsável pelos Procons - reforça algumas orientações:

  1. Aves cruas: manter congeladas ou refrigeradas e separadas dos outros alimentos. Cozinhar, assar ou fritar completamente antes do consumo;
  2. Carnes bovina e suína: optar por aquelas que possuam selos de qualidade e ficar atento aos aspectos da carne, especialmente a cor e o odor. Se a carne estiver com aspecto mais escuro ou esverdeado, o consumo deve ser evitado;
  3. Carnes das empresas Souza Ramos (selo SIF 4040 na embalagem) e Transmeat (selo SIF 4644 na embalagem) devem ser devolvidos.

Entenda a Operação

Deflagrada na última sexta-feira (17), a operação da Polícia Federal com cerca de mil policiais revelou um esquema de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura (Mapa), que faziam vista grossa a inspeções em frigoríficos.

De acordo com as investigações, uma rede de operações fraudulentas estaria possibilitando a liberação irregular de carnes sem a fiscalização adequada, além do comércio de produtos com prazo de validade expirado e com a adição de substâncias capazes de representar risco à saúde humana.

As denúncias tratam de 21 dos 4.800 frigoríficos brasileiros, mas atingiram todo o setor. Desde o fim de semana, mais de 12 ações já adotaram algum tipo de restrição às exportações brasileiras.

O valor de exportações da carne caiu de média de R$ 63 milhões por dia para R$ 74 mil, de acordo com o Mapa. O titular da pasta, Blairo Maggi, estima que frigoríficos poderão perder cerca de US$ 1,5 bilhão em vendas com a crise. O valor é equivalente a 10% dos US$ 15 bilhões de vendas em 2016.

Nesta sexta-feira, o presidente Michel Temer afirmou que "a carne não é fraca". "A carne brasileira é a melhor carne do mundo", disse, em discurso em cerimônia de entrega de unidades do programa Minha Casa Minha Vida, em São José do Rio Preto (SP).

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