NOTÍCIAS
16/12/2016 11:47 -02

Caos humanitário: Evacuação de civis é suspensa em Aleppo

Anadolu Agency via Getty Images
ALEPPO, SYRIA - DECEMBER 16: A man carries two children in his arms as a convoy including buses and ambulances, evacuating civilians, trying to flee from East Aleppo that had been under siege by Assad regime forces and pro-regime foreign terrorist groups, arrives in Syria's Rashidin area, before the ongoing evacuation of civilians Aleppo was temporarily suspended after pro-regime terrorist groups attacked on December 16, 2016. (Photo by Ahmed Al Ahmed/Anadolu Agency/Getty Images)

O drama para os civis que moram na região leste da cidade síria de Aleppo parece não ter fim.

Nesta sexta-feira (16), o governo de Bashar al-Assad anunciou a suspensão da evacuação dos moradores por uma suposta violação do cessar-fogo por grupos rebeldes.

De acordo com o governo, os milicianos bloquearam as saídas de duas áreas e os civis, que estão em ônibus, estariam sob fogo cruzado. O Centro russo para a Reconciliação, que atua ao lado de Assad, anunciou que "nove comboios com 6.462 pessoas, entre as quais 3.000 milicianos e 301 feridos" já deixaram a cidade. Segundo as Nações Unidas, mais de 50 mil pessoas ainda estão presas em Aleppo.

Ontem (15), fontes do governo informaram à emissora "Al Jazeera" que os comboios estavam sendo atacados por rebeldes. A situação é confusa na região, já que Assad afirma que a cidade voltou para as mãos do governo, mas os combates não cessam.

Crimes de Guerra

Os ataques aéreos da Rússia na região Aleppo mataram cerca de 1.200 civis, sendo 380 crianças, disse o grupo de defesa civil sírio Capacetes Brancos aos investigadores de crimes de guerra da ONU em uma carta obtida pela Reuters na quinta-feira (15).

Os Capacetes Brancos, a Rede Síria de Direitos Humanos, a Associação Independente de Médicos e o Centro de Documentação de Violações delinearam suas acusações contra a Rússia em um documento de 39 páginas entregue à Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria.

O documento lista cerca de 304 supostos ataques realizados principalmente entre julho e dezembro na região de Aleppo, nos quais os grupos dizem haver uma "probabilidade alta" de responsabilidade russa.

A missão russa na ONU não estava disponível de imediato para comentar as alegações. A Rússia, que vinha apoiando uma ofensiva militar de soldados do governo sírio na cidade de Aleppo, disse que cessou os ataques aéreos na localidade em meados de outubro.

"Indícios mostram claramente que a Rússia cometeu ou foi cúmplice de crimes de guerra na Síria", disse a carta dos Capacetes Brancos à Comissão de Inquérito da ONU.

A comunicação disse que as acusações se basearam em relatos de testemunhas e em provas que os corroboram, inclusive imagens em vídeo que identificam as aeronaves responsáveis pelos ataques, áudio interceptado de cabines de aeronaves e as munições usadas.

Em outubro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu à Comissão de Inquérito sobre a Síria, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, para identificar os perpetradores dos crimes de guerra em Aleppo.

(Com informações da Reuters e da Ansa)

LEIA MAIS:

- Órfãos sírios fazem apelo: 'Por favor, nos tirem de Aleppo'

- Mulheres se suicidam com medo de serem estupradas na Síria

- 'Colapso da humanidade': Exército sírio agora executa civis em Aleppo