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14/12/2016 09:33 -02

Ex-presidente da Odebrecht confirma: Empreiteira deu R$ 10 milhões ao PMDB a pedido de Temer

(Reuters) - O ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht confirmou à força-tarefa da operação Lava Jato o conteúdo da delação premiada do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre

O ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, confirmou à força-tarefa da Lava Jato a delação premiada do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre pagamento de R$ 10 milhões ao PMDB a pedido do presidente Michel Temer, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quarta-feira.

Melo Filho disse à Lava Jato que reuniu-se com o então vice-presidente Temer no Palácio do Jaburu, em 2014, no qual foi acertado o pagamento dos R$ 10 milhões para campanha do PMDB.

Nesta quarta, o jornal o Estado de S. Paulo afirma que o Palácio do Planalto está preocupado com o fato de Melo Filho ter dito afirmado à Polícia Federal (PF) possuir ligações telefônicas, sobre suposto pedido de dinheiro por Temer.

Os pagamentos

Segundo relato do executivo a investigadores da Lava Jato, o dinheiro era parte dos R$ 10 milhões acertados por Temer e Marcelo Odebrecht em um jantar em maio de 2014, junto com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O encontro foi revelado em reportagem da Veja, em agosto.

Segundo o delator, R$ 4 milhões ficariam com Padilha, responsável pela distribuição do dinheiro entre outras campanhas do partido. Os outros R$ 6 milhões seriam para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014.

Yunes foi tesoureiro do PMDB em São Paulo e, hoje, é assessor especial de Temer no Palácio do Planalto.

O secretário de Comunicação da Presidência, Márcio Freitas, negou a acusação de caixa dois. "Esse dinheiro jamais foi entregue no escritório de José Yunes. Ele não arrecadou para aquela campanha. Os recursos solicitados (por Temer) foram doados e declarados à Justiça Eleitoral", afirmou ao jornal O Globo.

Impopularidade sobe

A reprovação ao governo do presidente Michel Temer subiu para 51% em dezembro, ante 31% em julho, acompanhada da queda na confiança na economia, mostrou pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (11).

Segundo o levantamento, realizado entre 7 e 8 de dezembro, antes de surgirem detalhes de delação da Odebrecht com citações a Temer, 51% dos brasileiros consideram a gestão de Temer ruim ou péssima.

Aqueles que consideram o governo do presidente como regular reduziram-se a 34%. Na pesquisa anterior, durante a interinidade do peemedebista, eram 42%.

O índice de ótimo/bom de Temer caiu de 14% em julho para 10% em dezembro. Não souberam avaliar o governo 5% dos entrevistados.

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