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07/11/2016 17:01 -02

Fotógrafa retrata os imigrantes mexicanos que desmontam o discurso de Donald Trump

Sofía Muñoz Boullosa encontrou a Rosalindo Grocery Store andando pelas ruas do bairro Sunset Park, no Brooklyn, em Nova York.

Ela tirou uma foto. Mas, quando a fotógrafa nascida na Cidade do México virou para ir embora, ouviu um homem gritando.

Era Pedro Cruz, o dono da loja. Ele usava um avental azul e pediu que Muñoz Boullosa, uma fotojornalista de 26 anos, tirasse uma foto sua. Quando os dois se deram conta que vinham do mesmo país, começaram a conversar.

“Falamos algumas hora sobre o México, sobre Puebla, seu estado de origem, sobre comida, racismo, imigração, Trump e o significado real de sentir saudades do México”, disse Muñoz Boullosa por email ao The Huffington Post.

“Quando voltei para casa, me ocorreu uma ideia: procurar mais ‘Pedros’ para mostrar a variedade, complexidade e as histórias humanas da imigração.”

Pedro Cruz em sua venda em Sunset Park, Nova York.

Muñoz Boullosa começou a procurar outros mexicanos chamados Pedro que morassem em Nova York. Ela encontrou apenas usando esse método, então começou a caminhar por bairros com grandes comunidades mexicanas para perguntar se havia Pedros por ali.

Muñoz Boullosa já pensava em uma série de fotos centrada em imigrantes mexicanos desde sua mudança para os Estados Unidos, em 2015, ano em que Trump anunciou sua candidatura à Presidência.

“Quando cheguei em Nova York, Trump e imigração dominavam a mídia”, lembrou ela. “Ele tinha acabado de dizer que os mexicanos trazem drogas para os Estados Unidos e são estupradores.

Desde o dia em que cheguei sabia que queria trabalhar num projeto que desafiasse essas declarações e esses sentimentos, oferecendo uma imagem alternativa dos mexicanos que vêm para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor.”

Muñoz Boullosa sabia a importância de que o projeto fosse algo positivo, apesar da intenção de confrontar as descrições injustas sofridas pelos mexicanos nos Estados Unidos.

“Diferentemente [de Trump], queria desafiar suas declarações com uma retórica que não vem do ódio, mas sim da compreensão”, disse ela. “Vejo meu projeto como a possibilidade de mudar a cabeça das pessoas em relação à imigração do ponto de vista da sensibilidade e da empatia pela condição humana, não da confusão política.”

“Aprendi que a imigração é um processo natural: borboletas migram, humanos, também. Os motivos são diferentes, mas buscar um lugar melhor para viver é natural, no fim das contas.”

Sua série de fotos documenta as histórias de mexicanos chamados Pedros, mas Muñoz Boullosa diz que as histórias poderiam ser de “Dimitris, Youssefs, Chengs, Mohameds, Paolos, ou poderia ser a história de qualquer um de nós”.

E, apesar de ser ela mesma uma imigrante, a fotógrafa afirma que a série “Pedro” a ensinou que a imigração é parte normal da experiência humana.

Aprendi que a imigração é composta por indivíduos, não é um tema homogêneo”, disse ela. “Todos os imigrantes têm histórias diferentes e todos deveriam ter o direito de contá-la.

Elas não deveriam ser usadas como armas políticas porque é um direito humano que pertence a todos nós. Aprendi que a imigração é um processo natural: borboletas migram, humanos, também. Os motivos são diferentes, mas buscar um lugar melhor para viver é natural, no fim das contas.”

Veja abaixo os Pedros que ela conheceu e o que eles contaram sobre o México, Donald Trump e a vida do imigrantes nos Estados Unidos.

Nota do editor: Donald Trump incita regularmente a violência política e é um mentiroso contumaz, xenófobo desenfreado, racista e misógino que prometeu repetidas vezes impedir todos os muçulmanos – 1,6 bilhão de pessoas de uma religião inteira – de entrar nos Estados Unidos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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