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28/09/2016 22:29 -03 | Atualizado 05/02/2017 22:46 -02

Criança transgênera é adotada por família com mulher trans, porque o amor não tem barreiras

Gay rainbow flags waving over blue sky background
Marc Bruxelle via Getty Images
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Uma menina "fora dos padrões" ganhou neste mês o que toda criança merece: uma família. O que torna esta história de adoção de criança especial é o fato de Alice, 9, ser transgênera – assim como sua nova mãe, Alexya.

O Diário de Pernambuco contou a história em reportagem de Marcionila Teixeira.

Alexya Lucas Evangelista, 35, e Roberto Salvador Júnior, 27, casal de professores de Mairiporã (SP), adotaram Alice na última sexta-feira (23).

A mãe, consciente das necessidades de uma pessoa trans, disse:

"Vou fazer por ela o que a sociedade geralmente não faz pelas trans. É preciso entender que não se trata de uma escolha e sim de uma condição."

Um menino de 11 anos já faz parte da família – mas ainda havia o sonho de trazer uma criança trans para casa. Alexya e Roberto, agora, têm planos para uma terceira filha ou filho.

Alice viveu por um ano e meio no abrigo Lar de Maria, em Jaboatão dos Guararapes (PE). Ela foi encontrada pelo casal por meio dos serviços da Coordenadoria da Infância e Juventude do Estado (CIJ) e da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), ambas de Pernambuco.

A garota vestiu-se como menino durante todo tempo que passou no Lar de Maria, mas sempre foi ciente de que é, na verdade, uma menina. Em seu histórico, segundo o Diário de Pernambuco, já foi registrada uma devolução por uma família adotiva.

O programa da CIJ e da Ceja ajuda crianças com mais de sete anos que buscam famílias e não fazem parte dos padrões tradicionais pedidos por quem quer adotar. São meninos e meninas com doenças graves ou deficiências físicas ou mentais, por exemplo.

Atualmente, são 65 crianças e adolescentes na lista do programa. As Varas da Infância e Juventude do Brasil trocam informações entre si para viabilizar o encontro delas com possíveis novas famílias.

Alexya – que também é militante dos direitos LGBT, costureira e pastora da Igreja da Comunidade Metropolitana, que aceita pessoas trans – e Roberto afirmaram ao jornal pernambucano que Alice vai estudar com o irmão, na mesma turma do 3º ano do Ensino Fundamental.

Toda felicidade do mundo para essa família muito especial. <3

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