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22/06/2016 15:36 -03

Réu no STF? MBL sai em defesa de Jair Bolsonaro: 'Piada infeliz, mas nada criminal'

A página oficial do Movimento Brasil Livre (MBL) saiu em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro, após ele se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao crime de estupro.

Em 2014, Bolsonaro afirmou no plenário da Câmara dos Deputados que a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) não deveria ser estuprada porque "não merecia".

Segundo o MBL, o contexto completo da fala de Bolsonaro remonta ao caso de Champinha, jovem de 16 anos que estuprou e degolou a jovem Liana Friedenbach em 2003.

"Na ocasião, Maria do Rosário defendeu a IMPUNIDADE do estuprador e assassino, porque era "apenas uma criança" nas palavras da deputada petista. Bolsonaro, por outro lado, defendeu a redução da maioridade penal e a prisão de Champinha", afirma o MBL.

"Bolsonaro fez uma piada infeliz sim, mas nada criminal. Nada que se aproxime, por exemplo, do professor esquerdista Paulo Ghiraldelli que disse, com todas as letras, "espero que ela [Rachel Sheherazade] seja estuprada" - sob o ensurdecedor silêncio do movimento feminista", defende a página do movimento.

A postagem, com o texto na íntegra, foi esta:

A declaração de Bolsonaro em 2014 foi feita após discurso de Maria do Rosário em defesa das vítimas da ditadura militar. Ele subiu à tribuna e se dirigiu à deputada. "Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir", disse. Em 2003, os dois haviam passado por episódio semelhante também na Câmara.

Na entrevista ao Zero Hora, o parlamentar afirmou que não estupraria porque ela era "muito feia" e "não fazia o gênero" dele.

Defensora do deputado, a advogada de Bolsonaro, Lígia Regina de Oliveira Martan, invocou a imunidade parlamentar, perrogativa jurídica que permite a políticos liberdade de expressão.

"Ele é conhecido por projetos de lei que tendem a aumentar as penas de crimes e para que condenado por crime sexual deve ser submetido a castração química para obter benefícios. É uma mentira insinuar que o deputado tenha incitado a prática de qualquer crime", afirmou.

Maria do Rosário vê na decisão um ação de combate à cultura do estupro. "A fala do réu contribuiu para a disseminação do ódio nas redes, sua manifestação repercutiu e gerou eco, não podendo ser tratada como atividade parlamentar ordinária", afirmou.

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