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21/06/2016 12:50 -03

Cunha acusa: Ministro de Dilma tentou salvá-lo 3 vezes em troca de barrar impeachment

ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
The president of the Brazilian Chamber of Deputies, Eduardo Cunha, gestures during breakfast with journalists in Brasília, on December 29, 2015. Cunha is a key figure in the impeachment process launched against President Dilma Rousseff. AFP PHOTO / ANDRESSA ANHOLETE / AFP / Andressa Anholete (Photo credit should read ANDRESSA ANHOLETE/AFP/Getty Images)

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta terça-feira (21) que o ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner ofereceu a ele pessoalmente três vezes salvação no Conselho de Ética em troca de não aceitar o pedido de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

De acordo com o peemedebista, o então ministro do governo petista ofereceu os três votos do partido no colegiado, mesmo após a legenda ter anunciado que seria a favor da admissibilidade da representação contra ele, em 2 de dezembro. Horas após o anúncio, Cunha aceitou o pedido de impeachment.

O primeiro encontro teria sido um jantar na casa do parlamentar, o segundo na Base Aérea, em 12 de outubro, e o terceiro no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

Segundo Cunha, Wagner pediu a Michel Temer na época para intermediar o encontro, mas não participou.

"Nos três encontros Jaques Wagner ofereceu os votos do PT no Conselho de Ética e chegou ao ponto de oferecer que não seria separado a parte da minha mulher ao inquérito que eu estava respondendo", afirmou Cunha. Ele disse ter negado o acordo.

O deputado contou que ainda teria sido proposto pelo petista o controle do presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA) e que, na tarde de 2 de dezembro, Wagner tentou falar com ele por telefone diversas vezes ainda em uma tentativa de salvar Dilma.

Afastado da Câmara desde 5 de maio por decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), o peemedebista convocou uma coletiva de imprensa nesta terça em um hotel em Brasília para se explicar. Disse que a impossibilidade de frequentar a Câmara é um cerceamento a seu direito de defesa.

Ele negou que vai renunciar ao mandato e tampouco que fará uma delação premiada.

Réu no âmbito da Operação Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é acusado de mentir na CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. As transações foram comprovadas pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.

Manobras

Cunha rebateu ainda acusações de manobras para atrapalhar o trabalho no Conselho de Ética.

Devido a ações de aliados, o processo se tornou o mais longo no colegiado.

O deputado voltou a acusar o presidente do Conselho de errar deliberadamente em busca de atenção. "Alguns na ânsia do justiçamento perdem noção do que pode ser feito."

Despesas

O deputado justificou gastos púbicos que a Câmara mantém com a sua segurança por ser alvo de constantes ameaças, inclusive de morte, desde a autorização do impeachment. "Isso é notório. É porque eu não fico fazendo drama", afirmou.

"Alguém duvida dos riscos que a gente corre?", questionou.

De acordo com ele, o PT tem orquestrado manifestantes para hostilizá-lo em locais públicos. Durante sua fala nesta terça-feira, dois manifestantes buzinaram e gritaram "fora bandido" do lado de fora do hotel.

Resposta do governo Dilma

O ex-ministro Jaques Wagner negou anteriormente acusações similares de Cunha.

No dia seguinte à instauração do processo de impeachment, o ministro disse que com a decisão do peemedebista o Planalto havia se livrado de uma chantagem.

"Agora isso tudo sai da coxia e vai para o palco; acaba a chantagem", afirmou em coletiva de imprensa em 3 de dezembro.

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