POLÍTICA
16/06/2016 19:29 -03

18 coisas tão antigas quanto propina em eleição, segundo Sérgio Machado

divulgação

É comum ouvir durantes as manifestações no país bandeiras contra a corrupção. Mas quem não o é, não é mesmo?

No caso do Brasil, a resposta não é tão óbvia assim.

De acordo com a delação de Sergio Machado, há pelo menos 70 anos iniciava-se no país a prática do pagamento de propinas, esquema que hoje é escancarado pela Operação Lava Jato.

Na delação explosiva, o ex-presidente da Transpetro afirmou que desde 1946 'havia um padrão segundo o qual os empresários moldavam seus orçamentos com incorporação do conceito de 'custo político'.

De acordo com ele, "o 'custo político' é o porcentual de qualquer relação contratual entre empresa privada e poder público a ser destinado a propinas; esse porcentual é de 3% no nível federal, de 5 a 10% no nível estadual e de 10 a 30% no nível municipal."

E continuou:

"Recentemente, em todos os níveis de governos, as pessoas saíram desse padrão e foram além, envolvendo a estrutura das empresas estatais e dos órgãos públicos, o que antes não acontecia"

A delação ainda diz "que o depoente não deixou a Transpetro sair do 'modelo tradicional'."

De acordo com Machado, desde 1946 o sistema funciona em três instâncias.

"1) políticos indicam pessoas para cargos em empresas estatais e órgãos públicos e querem o maior volume possível de recursos ilícitos, tanto para campanhas eleitorais quanto para outras finalidades;

2) empresas querem contratos e projetos e, neles, as maiores vantagens possíveis, inclusive por meio de aditivos contratuais;

3) gestores de empresas estatais têm duas necessidades, uma a de bem administrar a empresa e outra a de arrecadar propina para os políticos que os indicaram."

Ainda, o delator afirmou que, como presidente da Transpetro, administrava a empresa com duas diretrizes:

"Extrair o máximo possível de eficiência das empresas contratadas pela estatal, tanto em qualidade quanto em preço, e extrair o máximo possível de recursos ilícitos para repassar aos políticos que o garantiam no cargo."

No documento, Machado apontou o pagamento de propina a um grupo de pelo menos 25 políticos, inclusive o presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

Depois dessa, só resta relembrar 18 coisas tão antigas quanto o esquema de propina em eleição: