ENTRETENIMENTO
07/06/2016 17:32 -03

9 personagens que mostram como 'X-Men' é uma metáfora sobre preconceito

No dia 10 de setembro de 1963, o primeiro gibi dos X-Men, lançado pela Marvel Comics, chegava às bancas. Logo na capa, ele dizia: "Os super-heróis mais estranhos de todos!"

Criados por Stan Lee e Jack Kirby (1917-1994), os mutantes de fato não eram personagens comuns. Assim como outros criados naquela época, como Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e Vingadores, os X-Men se diferenciavam dos super-heróis de outros gibis por apresentarem falhas e inseguranças. Tocava em temas como alienação e autoaceitação.

Os Estados Unidos, naquele momento histórico, viviam com força a questão dos direitos civis. O Professor Xavier chegou apresentando características semelhantes às de Martin Luther King Jr., enquanto Magneto era mais parecido com Malcolm X – ambos os ativistas estavam envolvidos na luta contra o racismo, mas com pontos de vista distintos sobre objetivos e métodos.

"X-Men fala sobre encontrar alívio entre outros marginalizados", explica em entrevista ao HuffPost Brasil o jornalista Sean Howe, autor do livro Marvel Comics: A História Secreta (Editora LeYa, 2013).

"Diferente dos Vingadores e do Quarteto Fantástico, e certamente da Liga da Justiça, este não era um grupo amado pelo público. X-Men foi, possivelmente, o primeiro quadrinho de super-heróis sobre identidade política."

Capa de The X-Men #1, estreia dos mutantes nos gibis, na qual eles enfrentam o antagonista Magneto

Mesmo refletindo muitas das ansiedades de seu tempo, o título da Marvel derrapou nas vendas. "Não foi até 1975, com a chegada de novos personagens – Wolverine, Colossus, Tempestade e Noturno – que o gibi se tornou um sucesso", diz o jornalista.

O conteúdo, entretanto, permaneceu o mesmo. Em 1982, chegava às bancas mais um clássico: Deus Ama, o Homem Mata. Na graphic novel escrita por Chris Claremont e com arte de Brent Anderson, o televangelista de histórico militar William Stryker persegue mutantes, acusando-os publicamente de serem criaturas odiadas por Deus; capangas de Stryker chegam a assassinar alguns. Os X-Men e Magneto deixam as diferenças ideológicas de lado para se unirem e impedir o genocídio.

Deus Ama, o Homem Mata inspirou o filme X-Men 2 (2003).

"Estão explícitos na história os paralelos entre o preconceito contra os mutantes e a homofobia e o racismo da vida real", conta Howe. "Muito disso foi reciclado nos filmes."

Apesar de toda opressão e falta de direitos, os x-men, dotados de todas as suas diversidades – sexual, cultural, étnica e por aí vai – decidiram proteger aqueles que mais os odeiam.

Abaixo, alguns exemplos de representações do preconceito contra minorias da vida real no icônico quadrinho: