MULHERES
26/05/2016 17:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

'Quando acordei tinha 33 caras em cima de mim', diz menina que foi estuprada no Rio

Reprodução

"Só quero ir pra casa". Essas foram as primeiras palavras da menina de 16 anos, que foi vítima de um estupro coletivo no Rio de Janeiro. A jovem foi transferida hoje à tarde para o setor de ginecologia do Hospital Maternidade Maria Amélia para realizar novos exames.

"Quando acordei tinha 33 caras em cima de mim", disse a vítima em entrevista ao jornal O Globo. Ela tentou fugir diversas vezes do hospital.

O estupro aconteceu na última sexta-feira, no Morro São João, em Praça Seca. Toda a família da adolescente está muito abalada. O pai, que pediu para não ser identificado, disse que a filha está "tão traumatizada que só conseguia chorar. "Ela foi num baile, prenderam ela lá e fizeram essa covardia. Bagunçaram minha filha e quase mataram ela. Estava gemendo de dor", disse.

A Rádio CBN entrevistou a avó da jovem. Ela contou que a neta chegou a desmaiar durante os abusos.

"O vídeo é chocante, eu assisti.Ela está completamente desligada. Ela tinha umas coleguinhas á, mas nessa hora ninguém apareceu."

Um vídeo foi divulgado na internet com as imagens do crime. É possível ouvir frases de incentivo explícito à violência foram gravadas e divulgadas para expor, ainda mais, a vítima. Ativistas reagiram com indignação e criaram a hashtag #QueroUmDiaSemEstupro.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CDDH) está investigando o caso. Em nota, o órgão informou que exige rapidez e rigor na apuração e identificação dos envolvidos no crime.

"Trata-se de um ato de barbárie e covardia. A agressão a esta jovem é também uma agressão à todas as mulheres. Estamos assistindo crescente desumanização e desrespeito ao outro. As maiores vítimas têm sido as mulheres. Nossa solidariedade à jovem violentada, à sua família e à todas as mulheres", diz a nota assinada pelo vereador Jefferson Moura (Rede).

LEIA MAIS:

- 30 homens estupraram uma menina. E divulgaram o vídeo na internet. Não vamos nos calar

- A violação de direitos 'mais tolerada no mundo' é o estupro

- #QueroUmDiaSemEstupro ganha força nas redes sociais após o crime