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19/04/2016 19:18 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Dia do Índio: 9 representações que definitivamente não deram certo

divulgação

Nesta terça-feira (19) comemora-se o Dia do Índio.

A data é uma homenagem ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940, e foi oficializada no Brasil três anos depois, sob decreto da lei de Getúlio Vargas.

De lá pra cá, contudo, as comunidades indígenas resistem muito mais do que celebram. Seja em relação à luta por demarcação de terras, à socialização no mercado de trabalho e no acesso a educação ou, ainda, à representação da cultura e à quebra de estereótipos, pouca coisa mudou.

Pelo contrário: a palavra de ordem é adaptação. Espera-se das comunidades indígenas uma adaptação à visão de mundo do não-índio e, com isso, perde-se muito do que foi preservado pela cultura presente no Brasil há muito mais de 500 anos.

Neste sentido, não faltam exemplos de produções midiáticas que tentaram personificar a melhor versão do índio brasileiro, só que ao contrário.

1. Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricelli: ~muito~ índios

É comum que o índio, como personagem, seja caracterizado como um descendente de europeu devido à nossa histórica miscigenação. Se na realidade de nossa história eles foram obrigados a se tornarem cada vez mais "caras pálidas", nas capas de revista os estereótipos limitam-se a representar atores não-índios um pouco mais bronzeados, com roupas exóticas e sempre com penugens ou pinturas.

Em entrevista ao programa Ver TV, da TV Brasil, Dora Pankararu, líder do povo Pankararu em São Paulo, comentou:

"Nós nos sentimentos representados quando outro parente fala de nós mesmos, não quando um não-indígena ocupa nosso lugar. A gente pode não ter o conhecimento científico do branco, mas temos o conhecimento de nossa vivência. Eles acham que a gente tem que ser sempre apresentado com as plumagens e as pinturas."

Uma das saídas para essa situação é o incentivo à produção audiovisual nas aldeias. O extinto programa A'UWE, da TV Cultura, que foi ao ar em 2008, buscava criar um espaço de representação mais fidedigno dos povos indígenas, já que cada episódio era realizado por documentaristas ou pelos próprios índios.

2. Vamos brincar de índio? Não.

Este vídeo da Xuxa pode ser considerado outro clássico... da ~vergonha alheia~. A música chiclete e a dança das paquitas são até envolventes, mas não conseguem, contudo, esconder as expressões dos índios ao fundo da tela de, no mínimo, desconforto.

Para além deste desconforto, há no vídeo uma questão mais profunda: a apresentadora simplesmente ignora em sua interpretação musical que, na verdade, índio não é uma coisa só. No palco, há a presença dos Guajajaras, um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil. Mas a interpretação e os adereços usados por Xuxa claramente remetem aos estereótipos dos índios americanos Apaches.

A jornalista e antropóloga Tatiane Klein dedica-se ao estudo das comunidades indígenas, suas representações e comunicações.

Durante entrevista ao Ver TV, Klein reforça a posição da antropologia contemporânea:

"Antropólogos brasileiros e os movimentos indígenas têm lutado para mostrar a sociodiversidade que existe dos povos no Brasil. Nas terras baixas da América do Sul vivem mais de 240 povos que falam, pelo menos, 150 línguas diferentes. Uma população de mais de 800 mil pessoas, segundo o censo de 2010. Existe uma diversidade nos modos de ver a natureza e o próprio contato com a sociedade nacional."

3. Uga-Uga

Como esquecer da produção de Carlos Lombardi? Segundo o autor, a escolha de um ator loiro para interpretar Tatúapu foi intencional, assim ele não poderia ser confundido com um índio legítimo. Mas os estereótipos não pararam por aí.

4. A Muralha

A minissérie foi tema de artigo da socióloga Veronica Eloi de Almeida.

Para ela, a destruição da aldeia que abre o primeiro capítulo é a síntese de todo o programa:

"As cenas são sangrentas e abordam a matança dos índios ou a sua escravização. Essa abertura é paradigmática do retrato dos povos indígenas feito pela minissérie, que passa pela questão da submissão e ingenuidade desses grupos, e pela violência dos brancos."

5. Caramuru - A invenção do Brasil

6. Alma Gêmea: a índia espírita Serena, interpretada por Priscila Fantin

7. A homenagem frustrada de Mara Maravilha aos índios

8. Thais Fersoza em Bicho do Mato

9. Cléo Pires em Araguaia