MULHERES
13/04/2016 17:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Villa Mix é palco de mais uma cena discriminatória e jovens iniciam boicote contra a casa noturna

reprodução / facebook

É cada vez mais comum o compartilhamento nas redes sociais de situações em que preconceitos, assédios e discriminações são praticados por estabelecimentos de entretenimento, como bares e casas noturnas.

Conhecidas por suas festas sertanejas, a casa de shows Villa Mix, em São Paulo, é alvo de mais uma campanha de boicotes por parte de ex-clientes que sofreram algum tipo de discriminação, a maioria delas por "estar fora dos padrões de beleza" definidos pela casa de shows.

Foi o caso da jovem Carol Marcelino, que vivenciou no último fim de semana uma situação lamentável ao lado de sua prima.

Em relato compartilhado no Facebook, a jovem diz que elas foram à casa noturna para comemorar o aniversário de uma amiga e mesmo antes de chegar ao estabelecimento já sentia que "estava entrando em um lugar que invadia meus próprios princípios, tal como alguns quesitos que devemos seguir antes mesmo de pensar em chegar lá. 'Não pode usar tênis da marca X', 'não pode não ir de salto', 'a roupa deve ser MUITO arrumada se não é barrado' e várias outras regras, no mínimo, fúteis".

Em seu relato, ela afirma:

"Ontem passei por uma situação um tanto quanto triste! Triste para pessoa que sofreu isso, para mim e mais 3 amigos que presenciaram isso, triste até mesmo para o mundo tão vazio em que vivemos.

Já ouvi muitos casos sobre preconceito a casa noturna Villa Mix SP, MUITOS. Mas mesmo assim, fui. Mesmo sabendo que estava entrando em um lugar que invadia meus próprios princípios, tal como alguns quesitos que devemos seguir antes mesmo de pensar em chegar lá... "Não pode usar tênis da marca X" "não pode não ir de salto" "a roupa deve ser MUITO arrumada se não é barrado" e várias outras regras, no mínimo, fúteis."

Em determinado momento, ela percebeu que a sua prima era a única do grupo a não ter sido beneficiada com os descontos da "lista promocional" do estabelecimento. Incomodada com a situação, Carol resolveu questionar os profissionais sobre o ocorrido.

"Não me importo em pagar balada. Mas fiquei com aquilo na cabeça "porque só uma que não ganhou? Será um erro? Ou o que eu já estava pensando?. Fiquei um bom tempo esperando junto com a minha prima que que não estava zerada. Esperei minha prima se afastar para evitar qualquer tipo de constrangimento a ela e perguntei 'moço, porque o dela não está zerada? O senhor sabe sim!'. Este segurança, na maior frieza e tranquilidade me diz: (dói lembrar! Dói demais!) 'ela foge do padrão da casa'. Nessa hora não me contive! Não consegui! Eu tomei as dores da minha prima... Mas também tomei a dor de alguém que, um dia, já sofreu isso! E comecei a falar 'O SENHOR TÁ FALANDO SÉRIO? QUAL É A DIFERENÇA DELA PARA MIM???? A BOSTA DA BALANÇA?' Ele apenas sorriu."

Não é a primeira vez, contudo, que o local é envolvido em denúncias e sofre com campanhas de boicote. No ano passado, a balada paulista foi alvo de investigação por parte do MP e se viu atrelada à denúncias de que os funcionários eram "forçados a barrar negro, humilde e gente gorda." Na época, foi criada uma página nas redes sociais que compartilharelatos e denúncias contra a casa, a "Boicote Mix".

O HuffPost Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa do Villa Mix. A nota oficial da empresa rebate os comentários feitos pela jovem:

"A casa de show Villa Mix é uma casa de entretenimento extremamente popular, a qual rejeita qualquer tipo de preconceito e descriminação. O valor moral e o respeito aos clientes são essenciais para alcançar uma história com mais de quatro anos de sucesso. Diante da acusação referente à noite do dia 09 de Abril de 2016, na qual, alega-se que uma cliente não recebeu uma entrada grátis por estar acima do peso, vamos aos fatos.

De início, vale lembrar que a casa noturna Villa Mix é pessoa jurídica idônea, geradora de empregos, cumpridora de suas obrigações e com o passado ilibado. A única maneira de se manter assim é por meio dos seus clientes. Infelizmente a casa de show não tem capacidade de manter seu funcionamento distribuindo entrada gratuita para todos os seus frequentadores.

Na referida acusação, percebe-se que as clientes já haviam entrado no estabelecimento, lê-se os seguintes trechos na mesma: “entramos”, “conseguimos ir até o caixa”. Ou seja, não houve seleção alguma para entrar no local, não existe “padrão da casa” para frequentar o ambiente.

Ainda existe a alegação, por parte da cliente que afirma ser prima de quem sofrera a suposta descriminação; sobre ela, sua prima e as amigas dizendo que todas elas “eram zeradas (entende-se entrada gratuita) por causa da tal lista de aniversário”. Não existe lista “VIP” de aniversário na casa de show Villa Mix, pode-se verificar no site o preço com nome na lista, que já apresenta um desconto em relação a quem entra sem o nome na lista. É importante ressaltar que qualquer pessoa pode colocar seu nome na lista por meio de contato indicado no site.

Com relação ao poder dos “promoters” em garantir entrada grátis aos clientes, vale lembrar que a casa já determina um número de entradas gratuitas que cada “promoter” poderá distribuir na noite. Como o próprio nome da função já indica, eles têm a missão de promover o estabelecimento. Ou seja, trazer o maior número de clientes possível para os eventos. Dessa maneira, é habitual que o funcionário não libere um grupo inteiro de forma graciosa, pois estaria restringindo sua promoção apenas àquelas pessoas que já entrariam juntas. O mais normal é que liberem algumas pessoas do grupo por cortesia e outras cobrando, assim, podendo divulgar a casa para mais grupos. Corriqueiras são às vezes em que clientes, os quais entram em um grupo com pagantes e “VIP’s” dividam o valor da entrada entre si.

Na tentativa de difamar a casa, a autora da acusação afirma que selecionam o tipo de tênis com as seguintes palavras: “Não pode usar tênis da marca “X””. Não existe qualquer tipo de regra quanto à marca de tênis. No site podem-se verificar as restrições quanto à vestimenta, ficando fácil para que o cliente saiba quais roupas são proibidas no estabelecimento, com o intuito de que todos entrem sem problema no local.

Analisando os fatos fica difícil crer na alegação de que um segurança afirmaria sobre não entrada gratuita na casa por fugir do padrão do estabelecimento. Ainda mais pelo fato da segurança não ter poder algum quanto à entrada dos clientes, seja ela grátis ou não. Vale lembrar que os seguranças são funcionários de empresa contratada e têm a missão de estabelecer à ordem, garantindo conforto aos clientes."

O post já foi apoiado por mais de 30 mil pessoas que reforçam o boicote ao estabelecimento. No final da mensagem, um pedido:

"Minha prima não foi a primeira e não será última.E sabe porque? Tem pessoas como eu (fui nessa balada mesmo sabendo de tudo isso) que compactuam com isso... Afinal, vamos até aquele lugar. Prima, não é culpa sua! Você não fez nada! O problema não é você, nunca foi você, nunca será você! O problema são essas pessoas que estão propagando um "padrão" que não existe. Você é linda! Um ser humano espetacular. Eu morro de orgulho de quem você é! E saiba, eu sempre vou lutar por você.E pelo o que é certo. Boicote a casa noturna Villa Mix e principalmente aos padrões. Carolina Marcelino, 61 kg e não me considero dentro de qualquer tipo de padrão."

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