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08/04/2016 20:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Cientistas revelam origem de pontos vermelhos que danificaram autorretrato de Leonardo da Vinci

Em 2012, uma equipe de especialistas concluiu que o único autorretrato reconhecido universalmente de Leonardo da Vinci estava danificado sem possibilidade de ser restaurado, destruindo os corações dos amantes de história da arte em todo o mundo.

O delicado desenho de giz vermelho, criado em 1512, foi acidentalmente exposto à luz solar enquanto era emoldurado para uma exposição, em 1929, o que deve ter causado o que os cientistas chamam de “foxing” (processo de pigmentação) — simplesmente, marcas não desejáveis que aparecem na superfície da obra.

No entanto, por muitos anos os detalhes dessas numerosas marcas eram desconhecidos. Eram resultado do pigmento oxidado ou de um fungo em desenvolvimento? Tais especificidades não são apenas úteis, mas essenciais para que os cientistas evitem que as várias manchas vermelhas consumam completamente o pobre rosto de Leonardo.

Bem, graças à uma equipe de pesquisa liderada por Guadalupe Pinar, da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria, agora sabemos que as manchas são resultado de várias espécies de fungos, como foi publicado pela revista on-line Environmental Microbiology Reports. (Sim, essas descobertas são resultado do novo “método de diagnóstico não destrutivo e não invasivo” que estávamos esperando.)

Primeiro, os cientistas extraíram o DNA do desenho, depois ampliaram as regiões espaçadoras transcritas internas dos fungos, clonaram os fragmentos recuperados e compararam os resultados com a comunidade microbiana.

Embora a “não culturabilidade dos micro-organismos que habitam o retrato” impedisse que os pesquisadores identificassem o exato fungo responsável, eles conseguiram constatar que a comunidade fúngica era dominada pelo filo Ascomycota e, anteriormente, pela espécie não categorizada Acremonium.

Como descrito na revista Discover: “Seus esforços de microscopia eletrônica revelaram um zoológico de formas fúngicas:

esferas lisas embrulhadas em filamentos, células pontiagudas congregadas em uma partícula misteriosa e discos achatados com cicatrizes tracejadas”.

Quão estranho é pensar que todas essas diversas formas fúngicas e alienígenas aparecem, a olho nu, como inconvenientes manchas avermelhadas.

Os resultados sugerem que a pigmentação começou quando partículas de ferrugem aterrissaram no desenho, abalando sua estrutura.

Isso então permitiu que organismos fúngicos penetrassem no papel, sobrevivendo com o bloqueio do próprio metabolismo e, ocasionalmente, expelindo ácido oxálico que danificou ainda mais a obra.

A recente descoberta é muito útil para especialistas que esperam encontrar uma estratégia de restauração para salvar Leonardo de seu manchado destino. Embora haja um longo caminho até determinar um plano apropriado para a restauração, entender precisamente como as manchas se formaram impedirá que os cientistas danifiquem ainda mais a obra.

Obrigada Guadalupe Pinar, Hakim Tafer, Katja Sterflinger e Flavia Pinzari por descobrirem a maquiagem química daquelas incômodas manchas avermelhadas na barba de Leonardo da Vinci. Agora, é só questão de determinar a tecnologia apropriada para removê-las.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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