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07/04/2016 09:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Ex-presidente da Andrade Gutierrez diz que propina bancou campanha de Dilma em 2014, diz jornal

Reuters

Tida há semanas como “bombástica” nos bastidores, a delação premiada de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez na Operação Lava Jato pode ser o ‘golpe de misericórdia’ contra a chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).

É o que pode acontecer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se for confirmado o conteúdo da reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira (7). De acordo com a matéria, a campanha de 2014 de Dilma e Temer recebeu recursos provenientes de propina de obras da Petrobras.

O conteúdo comprometedor para o governo, de acordo com o jornal, foi repassado aos investigadores da Lava Jato pelo ex-presidente da empresa, Otávio Marques de Azevedo.

Na delação premiada – que ainda precisa ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) –, o executivo detalhou os pagamentos em uma planilha entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Folha aponta que a planilha mostra doações de R$ 20 milhões para a campanha de Dilma em 2014, além de doações nos pleitos de 2010 e 2012, dos quais R$ 10 milhões doados às duas campanhas de Dilma estão vinculados à participação da empreiteira em contratos de obras públicas.

Aos investigadores, Azevedo falou em “compromissos com o governo” – segundo o jornal, significaria “pagamento de propina” – por participação em obras, como as do Complexo Petroquímico do Rio, a usina nuclear de Angra 3 e a usina hidrelétrica de Belo Monte.

Além da delação do ex-presidente, a Andrade Gutierrez tem mais 10 delações premiadas de executivos seus a espera de homologação por parte do ministro Teori Zavascki, responsável pela Lava Jato no Supremo.

Em nota à Folha, o coordenador jurídico da campanha presidencial de Dilma, Flávio Caetano, negou qualquer irregularidade. “Toda a arrecadação da campanha da presidenta de 2014 foi feita de acordo com a legislação eleitoral em vigor”, informou.

Já o tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, o ministro Edinho Silva (Comunicação Social), questionou porque a origem dos recursos repassados à campanha do candidato derrotado no pleito, Aécio Neves (PSDB) – que recebeu R$ 200 mil a mais em doações da Andrade Gutierrez – não foram questionadas. Segundo a Folha, os delatores da empreiteira não citaram tucanos.

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