MULHERES
07/04/2016 15:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

A Polônia virou de cabeça para baixo... Por causa do direito ao aborto

Esta não foi uma missa católica normal.

Motivados pela polêmica que a Polônia vive nos últimos dias, motivada por uma discussão envolvendo a chefe do Executivo, a Igreja Católica e a população, dezenas de mulheres e alguns homens abandonaram uma missa em Gdansk. Eles se retiraram da igreja após o padre começar a ler uma carta pedindo uma legislação mais rigorosa sobre o aborto.

O país vive dias de debates desde que na semana passada, a primeira-ministra polaca, Beata Szydlo, se manifestou sobre o assunto, e desencadeou uma avalanche de críticas da oposição sobre o tema.

"Só manifestei minha opinião pessoal", disse a conservadora após se manifestar favorável a uma iniciativa popular que tenta recolher assinaturas para proibir totalmente o aborto na Polônia. Desde 1993, a prática é permitida quando há má-formação do feto, gravidez recorrente de estupro ou quando a vida da mãe corre perigo. A lei é uma das mais restritivas da Europa.

Além de manifestações nas ruas, foram registradas ações mais pontuais, com o objetivo de chamar atenção para a causa. Indignadas com a possibilidade que a prática se tornasse ainda mais restrita no país, um grupo de mulheres também começou a enviar informações sobre os seus ciclos menstruais para a premiê!

"O governo não quer controlar nossos úteros, óvulos e gestações. Não é bom que eles cuidem disso para a gente? Vamos tornar a tarefa mais fácil", dizem as organizadoras da manifestação, que estimulam as mulheres a usarem a internet mas também a ligarem e a enviarem cartas para o gabinete da primeira-ministra.

"Prezada primeira-ministra Beata. Eu gostaria de informá-la que o meu ciclo vai bem. Minha menstruação veio na data certa (meu ciclo é de 31 dias), e no primeiro dia tive dores como normalmente tenho, mas depois elas diminuíram gradativamente e agora pararam de vez :) Meus dias férteis serão daqui 5 ou 6 dias, mas eu estou viajando para fora do país por uma semana, e não vou ver o meu marido durante o meu período fértil".

"Como você está tão preocupada com os úteros de mulheres polacas, que pretende equipá-los com policial e um promotor... Vou poupar um pouco de esforço, e gentilmente informar que minha menstruação se aproxima. Ela deve chegar na terça-feira... No momento, meus seios estão doendo, minhas pernas e abdômen inferior estão inchados, e eu já comi meu ovo de páscoa e a metade do do meu marido".

Em tempo: é uma "iniciativa popular" que tenta banir o aborto em todos os casos, e precisa de pelo menos 100 mil assinaturas para ser avaliada pelo legislativo. Depois de comentar o assunto, a premiê voltou atrás, e disse que o caso "nem é uma questão" porque ainda não se tornou um projeto de lei.