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05/04/2016 12:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Dilma chama de 'especulações' as mudanças nos ministérios para recompor a base

Lula Marques/PT

Em meio a negociações para recomposição da base do governo, anunciadas pelo ministro da chefia de gabinete do Planalto, Jaques Wagner, a presidenteDilma Rousseff, negou que pretenda fazer qualquer reestruturação ministerial antes do processo de votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Segundo o G1, ela chamou as trocas de "especulações".

“Nós não iremos mexer em nada atualmente. O governo não está avaliando nenhuma mudança hoje”, afirmou, após conhecer, na Base Aérea de Brasília, a aeronave KC-390, novo avião cargueiro projetado pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Perguntada se considera como precipitada a saída do PMDB do governo, Dilma respondeu que não avalia “ação de partido nenhum”, sequer a de sua legenda, o PT. “Eu não faço avaliações sobre ações partidárias, porque isso não é algo adequado para uma presidenta da República fazer”.

No final de março, o PMDB, que era o principal partido da base aliada, decidiu deixar de apoiar o governo. O partido ocupa atualmente seis ministérios no governo Dilma.

Na visita ao novo avião cargueiro, a presidente afirmou ainda que "nenhum governo conseguirá governar o Brasil se não tiver um pacto pelo diálogo, pela estabilidade, se não respeitarem as regras do jogo”.

"A hora que desrespeita a regra de um jogo você desrespeita o próprio jogo democrático. É isso que está em questão neste momento."

Ela afirmou que, desde o início do seu primeiro mandato presidencial, "tentam construir mecanismos" para tirá-la do governo.

"Primeiro, foi o pedido de recontagem de votos. Depois, falaram que as urnas tinham problemas e não apareceu problema nenhum. Depois tentaram construir mecanismos para me retirar do governo. Um é esse do impeachment, com as pedaladas fiscais de 2015, que não foram julgadas nem pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nem pelo Congresso", afirmou, lembrando ainda do questionamento sobre as contas de campanha junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Acham que, ao tirar um governo legitimamente eleito, esse País vai ficar tranquilo, vai ter pacificação. Não é. Quando você rompe um contrato dessa magnitude, que é base do presidencialismo, que me deu 54 milhões de votos, você rompe contratos em geral. Você rompe a base da estrutura democrática do País", disse a presidente.

Dilma lembrou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a prever em relatório, no final do ano passado, que o Brasil passaria mais rapidamente pela crise. "Mas isso não se deu e se atribui uma parte disso à instabilidade política. Isso precisa levar em conta", comentou.

Perguntada se o País podia passar por um convulsão, ela disse que não, que o País não está nessa época mais. "Mas, a instabilidade pode permanecer de forma profunda e extremamente danosa. Quando você de fato tem responsabilidade com o País, você não cria tumulto desnecessário. Não cria tumulto sem base. Precisa abrir o diálogo. O governo está inteiramente disposto a abrir o diálogo", disse.

A presidente criticou ainda os que pensam que programas como o Bolsa Família beneficiam uma parcela pequena da população. "Não dá para a população de classe média alta achar que o Bolsa Família beneficia poucos". Ela lembrou ainda que o País tem uma riqueza chamada "mercado interno”.

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