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04/04/2016 10:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

#PanamaPapers: Eduardo Cunha, Joaquim Barbosa e ex-presidente do PSDB estão entre os brasileiros citados

Montagem/Ag. Brasil, STF e Ag. Senado

Uma lista de brasileiros conhecidos integra o #PanamaPapers, nome dado ao vazamento de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, divulgados neste domingo (3). Vários políticos do País ou pessoas ligadas a personagens da política nacional integram o material, que pode contribuir com a Operação Lava Jato.

Dentro dos 2,6 terabytes de dados repassados aos jornal alemão Suddeutsche Zeitung aparecem nomes como o do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do ex-ministro Edison Lobão e o filho Luciano Lobão, do lobista Milton Lyra (ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB), e dos políticos João Lyra (PSD), Newton Cardoso Jr. e o pai Newton Cardoso (PMDB), Vadão Gomes (PP), e Sérgio Guerra (ex-presidente do PSDB, morto em 2014).

Os nomes brasileiros ainda contam com os nomes de Gabriel Nascimento Lacerda, filho do prefeito de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda (PSB), e do ex-ministro Delfim Netto. O ex-ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também é mencionado no material por supostamente ter sonegado impostos relativos a um apartamento de 70 metros quadrados do qual é dono em Miami (EUA).

No âmbito da Lava Jato, a Mossack operou para pelo menos seis grandes empresas e famílias citadas na Lava Jato, abrindo um total de 16 offshores. Nove delas são novas para a força-tarefa das autoridades brasileiras. As offshores são ligadas à empreiteira Odebrecht e às famílias Mendes Júnior, Schahin, Queiroz Galvão, Feffer (controladora do grupo Suzano) e a Walter Faria, do Grupo Petrópolis.

Segundo a lei brasileira, possui uma offshore – empresa constituída no exterior – não é ilegal. Entretanto, é preciso que essa empresa esteja declarada no Imposto de Renda. Dentro da lista divulgada neste domingo, há nomes de brasileiros que declararam as suas relações com a Mossack como manda a legislação, como o de Gabriel Junqueira Pamplona Skaf, filho de Paulo Skaf, atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Procurados pelo jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, um dos brasileiros que tiveram acesso à relação, todos os brasileiros citados negaram qualquer irregularidade. No Twitter, Eduardo Cunha negou ter qualquer relação com a Mossack – que implicaria em mais uma offshore dentre as várias que o presidente da Câmara tem de explicar aos investigadores da Lava Jato.

Também na mesma rede social do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, refutou ter cometido qualquer ilegalidade na compra ou pagamento de impostos do seu imóvel nos Estados Unidos.

O nome da Mossack apareceu na 22ª fase da Lava Jato, intitulada Triplo X, que buscou informações sobre um tríplex no Guarujá (SP) que, reformado pela empreiteira OAS, seria de propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com os documentos deste domingo, há perlo menos 107 offshores da firma panamenha ligadas a empresas e políticos vinculado à operação que não eram de conhecimento das autoridades brasileiras.

No Brasil, a Mossack negou ter cometido qualquer irregularidade em suas operações. Todavia, a força-tarefa da Lava Jato interceptou um e-mail no qual um empregado da firma panamenha orienta colegas a esconder documentos da empresa. “Não deixe nada. Eu os guardarei no meu carro ou na minha casa”, diz a mensagem.

Panama Papers

Repassados por um informante ao jornal alemão Suddeutsche Zeitung, o caso Panama Papers compila uma lista de 14 mil empresas offshore, abertas e fechadas em 21 países diferentes, entre 1977 e 2015, pela empresa panamenha Mossack Fonseca. Dos 14 mil intermediários da firma em todo o mundo, 403 operavam no Brasil – o que coloca o País em oitavo na relação liderada por Hong Kong.

Com um volume de informações 800 vezes maior do que os dados do caso Swissleaks (a lista de clientes que possuem/possuíam contas no HSBC na Suíça), o Panama Papers contou com a colaboração de 376 jornalistas – a maioria vinculada ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigados - ICIJ, de 109 veículos de imprensa de todo o planeta, em 76 países diferentes. Esse grupo de profissionais passou os últimos 12 meses investigando os dados divulgados neste domingo.

Fora do Brasil, vários líderes mundiais foram ou são clientes da Mossack. Constam na relação valores referentes aos atuais presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Argentina, Maurício Macri, e da Ucrânia, Petro Poroshenko; ao rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz al Saud; ao emir de Abu Dhabi, aos ex-premiês da Geórgia, do Iraque, da Jordânia, do Qatar e da Ucrânia, ao ex-presidente do Sudão, e ao premiê islandês Sigmundur Gunnlaugsson.

Familiares de figuras conhecidas, como o premiê britânico, David Cameron, o presidente sírio, Bashar al-Assad, o ex-premiê chinês Bo Xilai, o ex-rei Juan Carlos, da Espanha, o ex-secretário-geral da ONU, Koffi Annan, também estão implicados, assim como artistas e figuras do esporte, como o craque argentino Lionel Messi, do Barcelona.

À agência Reuters, o diretor da Mossack, Ramon Fonseca, disse em entrevista por telefone que sua empresa sofreu um bem-sucedido, porém "limitado", ataque cibernético. Fonseca, cofundador da firma ao lado de Jürgen Mossack, e até março importante autoridade do governo do Panamá, disse que sua firma formou mais de 240 mil companhias, acrescentando que a "grande maioria" foi usada para "fins legítimos".