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30/03/2016 20:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Cadê educação? Empurra-empurra marca mais um episódio da comissão do impeachment

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Confusão, bate-boca, empurra-empurra e gritaria.

Foi assim que terminou audiência que teve como objetivo ouvir os autores do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Os juristas Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal justificaram o pedido e respondiam perguntas sobre o documento encaminhado à Câmara quando o presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), encerrou a sessão.

Rosso argumentou que a ordem do dia havia começado e, regimentalmente, não poderia continuar. Sem ter tido a oportunidade de usar seu tempo de líder para falar, o deputado Ivan Valente (PSol-RJ) reclamava, em entrevista coletiva, sobre a atitude de Rosso.

Para ele, a comissão foi interrompida para não dar tempo a quem é contra o impeachment falar. Ivan conta que, enquanto ele falava, o deputado Caio Narcio (PSDB-MG) ficava o provocando.

“Ficou me chamando de filhote de petista. Até que eu mandei ele ir à merda. Ele sabe que o PSol é o único partido independente e que somos contra este golpe.”

Foi assim que começou a gritaria e o empurra-empurra. Outros deputados tentaram defender Ivan Valente e o tucano retrucou, acusando os petistas de serem bandidos. O deputado Henrique Fontana (PT-RS) reagiu, disse que o tucano estava incitando a violência.

Petistas e governistas que integram a comissão também reclamaram do que chamaram de manobra do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para encerrar a sessão. Segundo eles, o argumento de que a ordem do dia havia começado não é válido nesta ocasião.

“Já tivemos outra votação ao longo do dia e a sessão não foi encerrada. Mandaram encerrar porque a denúncia é frágil e nós íamos acabar com eles. Para não ter contraditório, entenderam que era melhor terminar”, disse Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Segundo a assessoria de comunicação do presidente da comissão, e a audiência pública foi encerrada pelo início da ordem do dia, “conforme o art. 46 Parágrafo 1o, do Regimento Interno da Câmara, em nenhum caso, ainda que se trate de reunião extraordinária, o seu horário poderá coincidir com o da Ordem do Dia da sessão ordinária ou extraordinária da Camara ou do Congresso Nacional".

O clima ficou tenso durante toda a reunião. Em diversos momentos os juristas, enquanto explicavam o pedido de impeachment, eram interrompidos por manifestações da plateia tanto contra quanto favorável ao impedimento de Dilma.

Justificativa

Primeiro a falar, o jurista Miguel Reale Jr defendeu as denúncias contra o governo e enfatizou que as pedaladas fiscais são crime sim. “Sequestraram a nossa esperança. Isso é muito grave. Então isso não é crime?”

Janaína Paschoal corroborou os argumentos do jurista.

“Tenho visto cartazes com os dizeres de que impeachment sem crime é golpe. Essa frase é verdadeira. Acontece que estamos diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade. Para mim, vítima de golpe somos nós.”

Ela disse acreditar que “estamos passando o país a limpo". "As pessoas que vão às ruas esperam uma providência. Não é só para afastar a presidente Dilma, é para afastar tudo o que tem de ruim na política"

O jurista Hélio Bicudo, também autor do pedido, foi o único que não esteve presente por motivo de saúde.

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