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29/03/2016 01:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Não é devaneio: Cunha sinaliza que pode votar o impeachment de Dilma em um domingo e ganha apoio da oposição

Montagem/Agência Brasil

Ávido por saídas regimentais, o que o leva a ser criticado sistematicamente, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deixa em suspense no ar uma possibilidade inusitada quando o assunto envolve a votação do relatório do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT): há uma chance da votação acontecer em um domingo. Isso mesmo, um domingo.

A possibilidade, ventilada primeiramente pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, ganhou o apoio de parlamentares oposicionistas ouvidos pelo HuffPost Brasil, que deixaram nas entrelinhas que a possibilidade já foi discutida com Cunha. O dia escolhido? 17 de abril. Pelas regras da Câmara não há nenhuma restrição, segundo os deputados que apoiam a iniciativa.

“Eu apoio. Seria muito simbólico, não é? Em um domingo, dia escolhido pela população que quer o impeachment, eu gosto da ideia e acho que ela é possível sim”, disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos mais notórios dissidentes da presença do partido no governo – o que deve terminar nesta terça-feira (29).

Questionado pela reportagem do HuffPost Brasil sobre a chance de votar o impeachment em um domingo, Cunha assim respondeu: “Temos um rito pelo regimento da Câmara que são 10 sessões, depois mais cinco sessões, depois você lê o parecer na ordem do dia da sessão seguinte, publicado 48 horas depois. Nós vamos seguir isso. O que cair, caiu”, argumentou, sem confirmar nem negar a possibilidade.

Aliado de Cunha e relator do processo de impeachment, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) garantiu que o seu relatório estará pronto para ser votado até o dia 15 de abril, uma sexta-feira. “Se não antes”, fez questão de ponderar. Ele pretende realizar nesta quarta-feira (30) e quinta-feira (31) as oitivas de acusação e defesa no processo. A votação, de acordo com ele, depende do presidente da Câmara.

“A minha parte estará pronta até lá. Se ele quiser votar em um domingo, assim será”, sentenciou. Líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) foi outro a dizer que “vai acabar sendo mesmo” em um domingo, pelo andamento dos trabalhos da comissão. Todavia, ele disse preferir uma votação durante a semana, “para ninguém dizer que está se forçando a barra para colocar manifestantes na frente do Congresso Nacional”.

“Acho que não precisa (se votar no domingo), o povo virá de qualquer jeito porque está já no limite com o governo do PT e não quer correr o risco de não ver aprovado esse procedimento na Câmara dos Deputados”, emendou.

Pelo menos dois deputados que deverão votar contra o pedido de impeachment na Câmara, e que falaram com a reportagem na condição de anonimato, classificaram como uma “loucura” e uma “indecência” a ideia de votar o tema em um fim de semana. Um deles, inclusive, sentenciou: "Ele tem pressa para entregar uma cabeça e salvar a própria".

Menos revoltado e mais pragmático estava o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que não demonstra surpresa com a possibilidade aventada por Cunha e pela oposição.

“Eduardo Cunha ele raciocina enxergando a Câmara e a agenda da Câmara como parte da sua estratégia de defesa. O processo de impeachment nada mais é do que um movimento coordenado pelo Eduardo Cunha, todos nós sabemos que não reúne nenhuma condição política, moral, ética, social, de presidir essa Casa. Portanto, vindo dele, é possível se esperar qualquer coisa”, afirmou.

“Do ponto de vista público, vai haver uma grande mudança porque certamente, seja o dia que for, nós vamos mobilizar amplos segmentos da sociedade para defender a democracia contra o golpe. O que nós poderemos ter aqui é uma grande concentração de pessoas, que estarão aqui defendendo os seus pontos de vista, agora ninguém se engane que será feita uma votação aqui sem que exista uma grande representação dos trabalhadores que estão determinado a lutar até o final em defesa da democracia, em defesa da Constituição e em defesa do nosso projeto”, concluiu o petista.

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