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29/03/2016 00:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

PMDB e PT: O fim de um casamento de 13 anos

José Cruz/Agência Brasil

Quando não está bom para os dois, o melhor é por um ponto final.

Primeiro, as ameaças. Depois as tentativas de salvar e reanimar a relação, mas aquela desconfiança está sempre ali, presente e pronta para virar um grande problema nos momentos mais difíceis do casal.

Não foi diferente com a aliança entre o PMDB e o PT, primeiro no governo Lula e depois para montar a chapa do governo de coalizão da presidente Dilma Rousseff.

Nesta terça-feira (29), o partido que desde 2013 engrossa o tom de que é preciso romper se encaminha para por um fim na relação. A confirmação deve ser por aclamação, sem contagem de votos, na reunião da executiva do partido.

O fim da aliança com o governo se acelerou no último mês, com o fortalecimento do pedido de impeachment, seguido da chance do partido de assumir o comando do País e influenciado até a decisão de Dilma de nomear o peemedebista Mauro Lopes (MG) para o ser ministro da Aviação Civil, depois do partido ter decidido que não aceitaria mais cargos no governo.

Titular de sete ministérios, o PMDB iniciou o desembarque pelo Turismo. Henrique Eduardo Alves foi o primeiro a pedir demissão. Até a semana passada, os ministros do PMDB ainda faziam coro pela permanência no governo.

Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, e Marcelo Castro, da Saúde, chegaram a participar de um evento no Planalto, que se tornou um ato de desagravo ao governo. Castro repetiu as palavras de outro peemedebista influente, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), de que impeachment sem crime é 'outra coisa'.

A sinalização de que ainda existia algo para manter a relação teve dedo da articulação do ex-presidente Lula. O petista atuou como uma terapeuta de casal, mas não adiantou.

Nesta segunda-feira (28), segundo informações do G1, o ex-presidente ouviu do vice Michel Temer que “não tem mais jeito”.

De acordo com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a situação ficará ruim para os ministros que continuarem na Esplanada. "Vai parecer que eles estão apegados aos cargos e que o cargo é mais importante que o interesse partidário.”

♫♫"Você não soube me amar"♫♫

Os que trabalham intensamente pelo fim da aliança não perderam a esperança no início do ano quando o Planalto conseguiu emplacar o - ainda - governista Leonardo Picciani (RJ) na liderança da legenda na Câmara.

A avaliação é que o governo não sabe negociar. Segundo o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos que aguardam ansiosamente o desembarque, o problema é que o partido foi preterido.

“(A união) não deu certo por limitação intelectual da presidente Dilma, limitação intelectual para a função, inabilidade política. Das grandes decisões principalmente na área macroeconômica, o PMDB não era ouvido. Nós temos bons quadros e a crise aumentou”, desabafa.

Segundo ele, o País precisa de uma nova esperança. “De uma nova proposta e precisa resolver o impasse político grave. Se a Dilma continuar é 6% de crescimento negativo e 13 milhões de desempregados. Se houver mudança, talvez possa fazer aí com 2,5% ou 3% negativo”, estima.

‘Desculpa que não cola'

As reclamações são inválidas, segundo o deputado Pepe Vargas (PT-RS). Ex-ministro da articulação política de Dilma Rousseff, Vargas destaca que o PMDB é o partido com maior presença no governo.

"O PMDB teve ministério de Portos, da Aviação Civil, de Minas e Energia. Se eles tivessem ficado também com Transportes, eles teriam toda infraestrutura do País. Como eles não foram ouvidos? Esses ministros não implementaram políticas geridas pelo governo? Comandam a Agricultura, a Saúde. Esse papo de que não foram ouvidos não cola.

O petista ressalta que "em um governo de coalização nem todas as posições de todos partidos são ouvidas. O PT também não é, não tem todas as posições acolhidas. Gostaríamos que o governo mandasse um projeto para taxar grandes fortunas, para tributar os mais ricos”.

Vargas argumenta que não é novidade que o PMDB queira deixar o governo.

"Desde a primeira vez que Lula concorreu a eleição, uma parte apoiou e outra parte não apoiou. Depois an eleição da Dilma, acabou formalmente o PMDB entrando, formalmente, na prática, setores significativos não apoiaram nem 2010 nem 2014. E esse é o grande dilema do PMDB, não tem unidade."

O problema, segundo ele, é o partido desembarcar e querer "votar um processo de impeachment sem base jurídica porque aí ele está concorrendo para o golpe”.

Ausente da reunião que definirá o futuro do partido no governo, o vice Michel Temer, que também é presidente do PMDB, nega golpe. Em nota, ele diz que "não patrocina nenhuma ação ilegítima e age estritamente dentro da lei".

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