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28/03/2016 20:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Líder da dissidência do PMDB, Lúcio Vieira Lima nega 'vitória' e atribui desembarque do partido ao governo Dilma

Montagem/Reprodução Twitter

“Vamos tomar um vinho hoje?”, pergunta o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS). “Vamos, claro”, responde Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Esse breve diálogo, enquanto o parlamentar baiano conversava com a reportagem do HuffPost Brasil, resume bem o espírito reinante entre os deputados peemedebistas dissidentes há muito tempo dentro do partido.

A reunião do PMDB desta terça-feira (29) vai oficializar, por aclamação, a saída do partido da base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Apesar dos apelos, com direito a uma conversa durante à tarde entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), não demoveu a legenda da ideia.

“A culpa do que está acontecendo é do próprio governo. Não adianta falar em golpe, em nada. Eles são os únicos culpados disso tudo”, afirmou Vieira Lima. De acordo com ele, o sentimento para um parlamentar como ele, que pregava há meses que o PMDB deixasse a base aliada de Dilma, não é de vitória e tem relação com a responsabilidade do partido agora.

“Não me sinto vitorioso. Nós tínhamos uma tese e finalmente a maioria do partido entendeu e abraçou essa nossa tese. É o melhor para o PMDB”, explicou.

Questionado sobre o vindouro governo Temer, uma vez que o impeachment de Dilma torne-se realidade – o que parece questão de tempo, pelo menos nos bastidores do Congresso –, Vieira Lima adotou a cautela e considerou prejudicial cada uma das notícias que saíram na semana passada, quando se ventilou estar pronto uma coalizão PMDB-PSDB após o impeachment.

“Essas coisas não devem ter espaço agora. Não é o momento. Acredito que teremos tempo para falar a respeito no tempo apropriado. Quem mais perde com essa história de agenda daqui, plano para o País dali, é o PMDB”, avaliou.

Perguntado sobre a possibilidade do PMDB se tornar o principal alvo da Operação Lava Jato, uma vez que o PT deixe de governar o Brasil, ele alfinetou as investigações.

“Nem sei o que virou essa operação. Quiseram falar que sete vereadores da Bahia, por exemplo, se beneficiaram de um esquema desse tamanho? Se um cara tem um carro parado e me oferece para campanha, eu o declaro na prestação de contas, e isso pode ser considerado caixa 2? Não faz sentido. Não sei para onde essa investigação vai, mas a política não pode parar”, completou.

O bom humor era tanto que o deputado até arriscou uma brincadeira com um assessor parlamentar: “Parece que o Lula já até pediu um ministério ao Temer no novo governo”.

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