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24/03/2016 09:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Não sobra um! Sucessores de Dilma, em caso de impeachment, estão na mira da Lava Jato

Lula Marques/ Agência PT

A divulgação da planilha que mostra repasses da Odebrecht a políticos evidenciou que o alcance da Operação Lava Jato pode ser maior do que já tinha sido divulgado. Ainda que não esteja certo se os repasses foram feitos legalmente ou se são caixa dois, a lista menciona pagamentos a 200 políticos de 18 partidos.

O elevado número de políticos deixou a situação da política brasileira ainda mais fragilizada.

Os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), também aparecem. Já o vice Michel Temerfoi citado em outras fases da Operação Lava Jato.

Isto coloca a linha sucessória da presidente Dilma Rousseff em uma situação delicada.

Vice Michel Temer

Nesta terça-feira (23), a Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma petição para investigar entre outros o vice-presidente da República, Michel Temer. Temer é o primeiro da linha sucessória.

Ele foi citado na delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Segundo o senador, Temer foi o grande patrocinador da indicação de Jorge Zelada, preso na operação, para a diretoria de internacional da Petrobras. Temer teria relação com o lobista João Augusto Henriques, que substituiu Nestor Cerveró na área Internacional da estatal.

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha

Primeiro político com foro privilegiado a se tornar réu na Lava Jato, Cunha é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo contra ele no Supremo foi aberto na ação que investiga se ele recebeu propina.

Nesta ação, Cunha é acusado pelo MPF de receber ilegalmente de US$ 5 milhões do consultor Julio Camargo. Segundo Janot, a propina é parte do contrato, feito sem licitação, para instalação de dois navios-sonda do estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007.

Ele também é acusado de omitir contas na Suíça e por isso é alvo de um processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que pode levar a sua cassação.

Presidente do Senado, Renan Calheiros

Terceiro na linha sucessória, Renan teve os sigilos fiscais e telefônicos quebrados em dezembro no desenrolar da Lava Jato. Os pedidos ocorreram com base na suspeita de um contrato superfaturado da Transpetro, no valor de R$ 240 milhões, para a construção de comboios de barcaças em agosto de 2010.

Renan também foi citado por ter envolvimento com o esquema de corrupção pelo lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, em delação premiada.

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