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23/03/2016 13:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

De rabiscos a planilhas: Dados mostram que repasses da Odebrecht a políticos vêm desde os anos 80 até o presente

Montagem/Ag. Senado, Agência Brasil e Agência PT

A grande expectativa criada pela notícia de que o Grupo Odebrecht e seus executivos farão delações premiadas aos investigadores da Operação Lava Jato, que apura o esquema de corrupção na Petrobras, não deve ser desprezada. Ainda mais com os dados que vão ganhando a luz do dia, alguns deles datados de três décadas atrás.

Em comum entre documentos dos anos 80 e aqueles em posse da Lava Jato há uma máxima clara – e que não chega a ser surpresa perante a opinião pública: a de que a corrupção e os repasses a políticos por grandes contratos públicos são algo “mais velho que nossa democracia”, como definiu o deputado federal Jorge Solla (PT-BA).

O parlamentar petista entregou à Polícia Federal e à CPI da Petrobras uma série de documentos (veja os 355 itens aqui) que lhe foram entregues por Conceição Andrade, ex-secretária do departamento financeiro da Odebrecht. “Muitos desses manuscritos entregues à CPI eram bilhetes que eu recebi do meu gerente para operacionalizar os pagamentos”, disse ela ao jornal O Globo.

Como já apurou a Lava Jato, o uso de apelidos era algo recorrente já na década de 80 – os dados seriam mais precisamente de 1988 – para os repasses. Segundo os documentos, o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), constava há três décadas atrás em anotações como ‘Almofadinha’.

Nos mesmos papeis aparecem supostos repasses ao senador Jader Barbalho (PMDB), ao ex-ministro Edison Lobão (PMDB), ao prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), ao ex-deputado João Agripino Maia Neto (DEM), ao empresário Fernando Sarney, ao deputado José Sarney Filho (PV-MA), e à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) – os três últimos filhos do ex-presidente José Sarney (PMDB).

Alguns desses nomes já foram mencionados na Lava Jato (Barbalho, Lobão, Roseana Sarney) no ano passado e demonstrariam, assim, que a Odebrecht seguiu praticando o mesmo mecanismo até o presente momento.

De acordo com postagem do jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, mais de 200 políticos de 18 partidos constam em uma planilha apreendida com o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, o ‘BJ’, na 23ª fase da Lava Jato, intitulada Acarajé que também teve como alvo o marqueteiro do PT, João Santana.

As planilhas citam pagamentos que teriam sido feitos a nomes como José Sarney (PMDB), Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Campos (PSB), morto em 2014, entre outros. Alguns apelidos são curiosos: Cunha é ‘Carangueijo’, Renan é ‘Atleta’, e Sarney é ‘Escritor’.

Com as delações premiadas, a Força-Tarefa da Lava Jato espera compreender os meandros dos repasses financeiros feitos a políticos, sobretudo os mais recente – a documentação de 1988, pela legislação brasileira, implicaria em eventuais crimes já prescritos, mas pode ajudar a entender como a empreiteira atuava desde a redemocratização do Brasil.

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