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22/03/2016 14:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'É um golpe contra a democracia. Jamais renunciarei', diz Dilma após se reunir com juristas contra impeachment

REUTERS/Adriano Machado

Em um discurso feito após se reunir com juristas contra o impeachment, a presidente Dilma Rousseff chamou de "golpe" o processo de impeachment que corre contra ela no Congresso e avisou: "Não renuncio em hipótese alguma".

"Eu preferia não viver esse momento mas, que fique claro, me sobram energia, disposição e respeito à democracia para fazer o enfrentamento necessário à conjuração que ameaça a normalidade à constituição e a estabilidade democrática do País" disse Dilma enquanto era aplaudida de pé aos gritos de "Dilma guerreira do povo brasileiro" no Palácio do Planalto.

Batizado de Encontro com Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia, o evento reuniu advogados, promotores, magistrados, defensores públicos e professores universitários.

A presidente se defendeu das acusações de ter cometido crime de responsabilidade fiscal ao praticar as famosas pedaladas durante seu mandato em 2013. "Não cometi nenhum crime previsto na Constituição e nas leis para justificar a interrupção do meu mandato. É uma injustiça brutal, uma ilegalidade. Já fui vítima dessa injustiça uma vez e lutarei de novo para não ser vítima, desta vez numa democracia. O que está em curso é um golpe conta a democracia. Eu jamais renunciarei", disse a presidente.

Em seu discurso, Dilma disse ainda que não usaria "meias palavras". "Pode-se descrever um golpe de estado com muitos nomes, mas ele sempre será o que é. A ruptura da legalidade, o atentado a democracia. Não importa se a arma do golpe é um fuzil, uma vingança ou a vontade política de alguns de chegar mais rápido ao poder. O nome é um só: é golpe", afirmou.

A presidente também voltou a atacar o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação Lava Jato, que autorizou a interceptação de conversas entre Dilma e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, e as divulgou para a imprensa.

"A Justiça brasileira fica enfraquecida e a constituição é rasgada quando são gravadas conversas da presidência da república sem a devida autorização do supremo tribunal, quando são divulgadas conversas que não são alvo de investigações, quando são violadas a prerrogativa dos advogados ferindo o direito de defesa. Quando tudo isso acontece fica nítida a tentativa de ultrapassar o limite do estado democrático de direito."

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