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22/03/2016 21:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

PMDB é a última esperança de Lula e Dilma

Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Antes mesmo de ter oficializado seu gabinete de articulação política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está com a nomeação para a Casa Civil em suspenso, já atua para tentar salvar o governo. O primeiro alvo do ex-presidente é o PMDB.

O petista aposta na reaproximação com o partido para tentar angariar votos contra o impeachmentna Câmara dos Deputados.

Um dos primeiros passos do ex-presidente é tentar convencer o partido a adiar a reunião do diretório nacional, prevista para o próximo dia 29. Neste encontro, os peemedebistas vão bater o martelo se realmente vão deixar a base do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na tarde de terça-feira (22), Lula esteve com o presidente do Senado,Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente José Sarney. No fim do encontro, Renan adotava uma postura mais flexível com relação ao impeachment e chegou a criticar o interesse do PMDB em deixar o governo.

"Se o PMDB sair do governo, e eu digo isso com a autoridade de quem não participa do governo, se sair do governo e isso significar o agravamento da crise, é uma responsabilidade indevida que o PMDB deverá assumir”, disse ao chegar no Senado, após o encontro com o petista.

Orientada por Lula, Dilma atua em outra frente para conter os peemedebistas. A presidente fez uma reunião com os ministros e cobrou mobilização da base. O PMDB tem sete ministérios e, principalmente, os indicados da Câmara foram cobrados a trazer fidelidade.

Reflexo do puxão de orelha foi a presença do ministro da Saúde, Marcelo Castro, nos corredores da Câmara dos Deputados na terça-feira. O governo também conta com a influência de Jader Barbalho (PMDB-PA), pai do ministro da Secretaria de Portos, Helder Barbalho.

No Planalto, a avaliação é que sem o PMDB fica impossível conter o impedimento de Dilma. Ministros palacianos contabilizam que a presidente não tem nem 32 votos na comissão que analisa se cabe ou não dar prosseguimento ao impeachment. A ideia é vencer a batalha na comissão para que o parecer chegue enfraquecido ao plenário. Como o voto é aberto, o governo aposta na possibilidade de cobrar a fidelidade de cada um.

Mesmo com todos os esforços, peemedebistas reafirmam a manutenção da data da reunião do diretório e sustentam que a legenda vai romper com o governo.

Gabinete

Embora já esteja atuando informalmente, os senadores petistas cobram um espaço para Lula. A sugestão do senador Lindberg Farias (PMDB-RJ), encampada pelos demais senadores da bancada, é que o ex-presidente seja nomeado assessor especial. O entendimento é que deste jeito ele teria um lugar para despachar e poder institucional.

Como assessor, porém, o ex-presidente não tem a prerrogativa do foro privilegiado e pode ser preso preventivamente, caso o juiz Sérgio Moro, que coordena a força-tarefa da Lava Jato, acate o pedido do Ministério Público de São Paulo.

A ideia é que o ex-presidente fique como assessor especial até o Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento sobre a ação que suspendeu a posse de Lula. Na noite de terça-feira, o ministro Teori Zavascki determinou que a denúncia contra Lula retorne ao STF, mas manteve a suspensão da posse.

Os senadores têm reclamado de abusos do juiz. Na tarde de ontem, petistas e demais apoiadores de Lula no Senado protocolaram uma representação contra Moro no Conselho Nacional de Justiça.

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