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22/03/2016 11:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

IMAGENS FORTES: Refugiado coloca fogo no próprio corpo em protesto ao fechamento de fronteiras

Em um ato desesperado, um refugiado ateou fogo ao próprio corpo em protesto ao fechamento da fronteira entre a Grécia e a Macedônia.

De acordo com informações da Associated Press, ele foi hospitalizado mas não corre risco de vida.

Segundo a polícia, o incidente ocorreu na terça-feira (22) durante um protesto na cidade fronteiriça de Idomeni. Cerca de 12 mil refugiados e migrantes seguem acampados por lá.

Desde a última semana, quando líderes da União Europeia e da Turquia resolveram limitar drasticamente o número de refugiados e imigrantes que serão aceitos no continente. A Europa vive sua pior crise de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial, com milhares de pessoas que fogem da guerra, principalmente na Síria e no Iraque, chegando por dia no continente, principalmente pela Grécia.

O objetivo do acordo é interromper a principal rota usada por um milhão de refugiados e imigrantes para chegar à Europa no ano passado.

Até domingo (20), os recém-chegados a Lesbos tinham liberdade de deixar o campo de imigrantes de Moria e pegar balsas para a Grécia continental, de onde a maioria segue para o norte através dos Bálcãs na tentativa de alcançar o oeste europeu, em particular a Alemanha.

Agora eles devem ser mantidos em Moria ou em um dos quatro centros criados nas ilhas de Samos, Quios, Leros e Cós, no Mar Egeu, enquanto esperam a análise de seus pedidos de asilo.

Nesta segunda-feira (21), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse que não irá operar nos "centros de detenção" da ilha grega de Lesbos para imigrantes e refugiados que chegam da Turquia, um golpe no acordo firmado.

O Acnur afirmou que imigrantes e refugiados estão sendo detidos contra a vontade nos centros de recepção de Lesbos, e que não irá mais transferi-los para estas instalações. O acordo UE-Turquia cruzou uma linha vermelha em sua política, disse o Acnur.

"Baseados em princípios, tomamos a decisão de nos desligar do transporte de e para Moria, já que desde domingo a liberdade de ir e vir não está garantida", afirmou.

O Acnur irá continuar a providenciar assistência a refugiados e imigrantes na praia e no porto de Lesbos, e irá se concentrar no "monitoramento e aconselhamento" em Moria, disse.

A agência teme que o entendimento entre UE e Ancara tenha sido "implementado prematuramente", disse, e que no momento a Grécia não tenha em suas ilhas os sistemas necessários para cuidar dos pedidos de asilo nem as condições adequadas para acomodar aqueles que esperam uma decisão.

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