NOTÍCIAS
22/03/2016 12:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Estou aqui para enterrar a Guerra Fria', diz Obama em Cuba

Chip Somodevilla via Getty Images
HAVANA, CUBA - MARCH 22: U.S. President Barack Obama delivers remarks at the Gran Teatro de la Habana Alicia Alonso in the hisoric Habana Vieja, or Old Havana, neighborhood March 22, 2016 in Havana, Cuba. Described as a message to the Cuban people about his vision for the future of Cuba, Obama's speech will be nationally televised to the 11 million people on the communist-controlled island. (Photo by Chip Somodevilla/Getty Images)

O presidente dos EUA, Barack Obama, fez um discurso histórico nesta terça-feira (22) em Havana. "Vim aqui para enterrar os últimos vestígios da Guerra Fria na América", afirmou o mandatário, que foi ovacionado pela plateia.

"Mesmo que estejamos separados por apenas 90 milhas, para chegar aqui tivemos que viajar uma grande distância, por barreiras históricas e ideológicas", comentou Obama sobre a visita ao país, que ocorre pouco mais de um ano após o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e EUA. Há 88 anos um presidente americano não visitava a ilha.

Diferente do discurso de segunda-feira (21), que teve um tom mais brando, Obama foi categórico em criticar as violações dos direitos humanos na ilha, mas não hesitou em fazer uma mea culpa, ao comentar pontos que também devem ser melhorados nos EUA.

"Não é segredo que os nossos governos discordam em muitas dessas questões. Tive conversas francas com o presidente Castro sobre a pena de morte, a desigualdade econômica, as guerras americanas no exterior... A lista é bem mais extensa", detalhou. "Ainda há enormes problemas na nossa sociedade, mas é através da democracia que os resolvemos", disse Obama, reconhecendo que o processo democrático pode ser "frustrante".

"Vocês podem não concordar, mas me deixem dizer o que eu acho. Eu acho que todas as pessoas devem ser iguais sob a lei, que toda a criança merece a dignidade de ter educação, comida na mesa e um teto. Eu acho que os cidadãos devem ser livres para falar o que querem, para criticar o seu governo e para protestar em paz", disse Obama, que criticou ainda as prisões arbitrárias.

Durante o pronunciamento conjunto desta segunda (21), o presidente cubano, Raul Castro, negou a existência de presos políticos, e disse a um repórter que "soltaria todos os presos políticos, caso existissem".

Obama também se dirigiu diretamente ao presidente Castro, que assistia ao discurso da plateia: "Vocês não precisam temer os EUA, mas também não precisam temer as vozes dos cubanos".

O presidente americano frisou a importância do sistema democrático e de que os cubanos possam escolher seus governantes em eleições democráticas e livres. "O futuro de Cuba tem que estar nas mãos do povo cubano".

Durante toda a sua fala, Obama citou momentos de sua vida pessoal para enfatizar seus argumentos e fez questão de dizer que sem a democracia, não poderia ocupar um dos cargos mais importantes do mundo.

Obama também fez questão de lembrar os pontos comuns que unem os dois povos.

"Os EUA e Cuba são como dois irmãos que ficaram separados por um tempo, mas que dividem o mesmo sangue. Mesmo com todas as diferenças, os cubanos e os americanos compartilham valores como o profundo amor pela família, a paixão pelas crianças e o comprometimento com a educação", frisou o presidente, que disse ainda pensar que as futuras gerações vão olhar para o esse capítulo de isolamento como apenas parte de uma história de parceria e amizade.

Sobre o embargo - que só pode ser suspenso com o aval do Congresso, de maioria republicana - Obama foi categórico. "O que os EUA estavam fazendo não estava funcionando, e nós precisamos ter coragem para reconhecer isso", disse ele, que afirmou ainda que a política de isolamento não faz sentido no século 21. "O embargo só está machucando e prejudicando os cubanos".

Terrorismo

Obama aproveitou seu discurso para falar sobre os ataques terroristas que deixaram mais de 30 mortos nesta terça-feira em Bruxelas, na Bélgica.

"Faremos o que for necessário para apoiar nosso amigo e aliado, e para levar os responsáveis à justiça", afirmou o presidente, que disse que o ataque serve como um "lembrete de que o mundo deve se manter unido, independente de nacionalidade ou fé, para lutar contra o terrorismo".

De acordo com fontes da Casa Branca, Obama já entrou em contato com o governo belga para prestar condolências.

LEIA TAMBÉM:

- Em discurso com Obama, Raul Castro pede que EUA derrube embargo e devolva Guantanamo

- HISTÓRICO! Obama e Raul Castro se encontram em Havana

Galeria de Fotos Obama desembarca em Cuba Veja Fotos