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22/03/2016 12:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Estádio do Corinthians entra em investigação da Operação Lava Jato

A 26ª fase da Lava Jato, a Operação Xepa, investiga corrupção e propinas pagas em dinheiro pelo Grupo Odebrecht e que envolvem obras públicas e privadas para além da Petrobras. Estão sendo cumpridos 110 mandados judiciais.

Segundo fala da procurador da República Carlos Fernando Santos de Lima, em entrevista nesta terça-feira, existe um sistema de controle desses pagamentos: "Existe um sistema inclusive automático de controle desses pagamentos com distribuição de alçadas com pagamentos em setores de óleo gás, infraestrutura, estádios de futebol, canal do sertão".

André Luiz de Oliveira, o André Negão, vice-presidente do Corinthians desde 2015 foi levado pela Polícia Federal para depor. A suspeita é que a Operação Lava Jato tenha chegado à construção da Arena Corinthians, que foi tocada pela Odebrecht. O Corinthians ainda não se pronunciou oficialmente.

Segundo a Folha de S. Paulo, Roberto Antônio Gavioli, responsável pelas obras do estádio, aparece como responsável pelo pedido de pagamentos de R$ 500 mil, sem data especificada, com o codinome "Timão". Segundo o Ministério Público Federal (MPF), este seria André Negão.

O deputado federal e ex-presidente corintiano Andrés Sanchez (PT-SP) disse, em entrevista à IstoÉ no último mês, que o Corinthians era um dos alvos da Lava Jato.

"Estão querendo incluir de qualquer jeito, por causa de minha amizade com o Lula. E eu quero que ponham. Quero que o estádio vá para Lava Jato. Investiguem. Me chamem e vou falar tudo. Dá um Google em 2009, 2010, e veja quanto falavam que custava para botar os dutos da Petrobras no Estádio do Corinthians para ter a Copa do Mundo. R$ 60 milhões, R$ 80 milhões. Sabe quanto foi? Apenas R$ 8,8 milhões. Tem contrato", afirmou.

"Minha conta está aberta, sigilo telefônico. Vivemos num País de hipócritas. Estou muito triste. Eu não estou inocentando Lula, não. Mas o estádio foi o mais barato do Brasil", afirmou Sanchez.

Pagamentos ilegais

A procuradora da República Laura Tessler afirmou que as descobertas levaram a uma "estrutura profissional de pagamento de propinas na Odebercht". Segundo ela, eram "pagamentos sistemáticos" com entregas de valores em moeda no Brasil e transferências no exterior.

A secretária da Odebrecht Maria Lucia Tavares declarou em sua delação premiada, fechada com a Operação Lava Jato, que o presidente afastado do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht, foi quem solicitou a criação da planilha de pagamentos paralelos identificada na Operação Xepa, 26ª fase deflagrada nesta terça-feira.

Segundo o Ministério Público Federal, os "pagamentos ilícitos" teriam ocorrido até pelo menos o segundo semestre de 2015. São investigados, de acordo com a Procuradoria, possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de ativos oriundos de desvios da Petrobras, cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao Grupo Odebrecht.

Em nota, a Odebrecht afirmou que "tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso" e "colaborando com os esclarecimentos necessários".

(Com informações Estadão Conteúdo)

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