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22/03/2016 11:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Ato pró-impeachment de Dilma termina com violência e pressão da PM na PUC-SP (VÍDEOS)

Publicado por Rachel Maia em Segunda, 21 de março de 2016

Terminou em violência e truculência da Polícia Militar um ato pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na noite desta segunda-feira (21), na zona oeste da capital. Em sua defesa, a polícia disse que foi preciso ‘conter a violência’ dos manifestantes.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um grupo de estudantes de Direito, Administração e Economia da PUC convocou uma manifestação contra a corrupção e a favor da deposição de Dilma. O ato seria uma resposta à manifestação realizada na semana passada no teatro da universidade, o Tuca, em favor da presidente e do governo.

Enquanto esse grupo exaltava a Operação Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro, e criticava Dilma, Lula e o PT, outro se reuniu para contestar o ato. Gritando palavras de ordem, como ‘não vai ter golpe’ e ‘fascistas não passarão’, esse grupo menor e o outro passaram a trocar hostilidades e a PM, que observava de longe, montou um cordão de isolamento.

Estudantes protestam contra ato a favor do impeachment na PUC ...

ACONTECE AGORA: Estudantes da resistência da esquerda protestam contra ato a favor do impeachment na PUC-SP e PM reprime com bombas de gás. Na PUC tradicionalmente acontecem os atos de resistência contra o fascismo. Na semana passada, no Tuca, intelectuais estiveram reunidos em apoio à presidente Dilma e ao ex-presidente Lula. Vídeo: Janete Dutra

Publicado por Jornalistas Livres em Segunda, 21 de março de 2016

Em maior número, o grupo pró-impeachment ainda exaltou a Polícia Militar, antes de anunciar o fim do ato, por volta das 21h. Foi então que o outro grupo passou a pregar a desmilitarização: “Não acabou/Tem que acabar/Eu quero o fim da Polícia Militar”. Foi então que os policiais reagiram, como mostram imagens postadas nas redes sociais.

Momento da ação fascista da Polícia Militar defendendo o ato dos golpistas (cerca de 50 pessoas) e atacando os estudantes da PUC!

Publicado por Alexandre Pupo Quintino em Segunda, 21 de março de 2016

Na noite desta segunda-feira, 21 de março, um pequeno grupo de alunos da PUC-SP realizou um ato de apoio ao impeachment. Estudantes a favor da democracia e contra o golpe repudiaram a ação e protestaram com projeções nos prédios vizinhos que pediam o fim da PM e a manutenção da democracia. "O movimento de pessoas contra o impeachment começou a se conglomerar ao lado do carro de som, gritando palavras de ordem contrárias ao golpe", conta a estudante de Ciências Sociais Souldag Remai. "A polícia, chamada pelos manifestantes de verde e amarelo, resolveu separar os grupos com hostilidade", conta. Com o tumulto, outros estudantes que estavam em sala de aula foram às ruas no entorno da universidade para apoiar o grupo contra o impeachment. A polícia interveio de forma truculenta. Lançou dezenas de bombas de gás lacrimogêneo, disparou bala de borracha e spray de pimenta. Dois estudantes ficaram feridos e foram levados ao pronto-socorro. A PUC-SP é tradicionalmente um espaço de combate à repressão. Na semana passada, um ato com intelectuais lotou o TUCA, teatro da universidade, em apoio à democracia. Na manhã de hoje, estudantes se organizaram para repudiar a ação da PM e dos manifestantes a favor do golpe. "A PUC resistiu, a PUC lembra", completa Souldag. Há quase 40 anos, na noite de 22 de setembro de 1977, 500 homens da tropa de choque e agentes do Dops - a polícia política - invadiram o campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em São Paulo e prenderam 700 estudantes, arrastados a golpes de cassetete e pontapés. Por Lucas Martins, para Jornalistas LivresEdição de vídeo (colaboração dos estudantes): Henrique Cartaxo

Publicado por Jornalistas Livres em Terça, 22 de março de 2016

Em nota, a assessoria da PUC-SP lamentou “os episódios de violência que se deram”, afirmando ainda que “diversos alunos, professores e funcionários foram atendidos no ambulatório da universidade, com intoxicação provocada pelo gás”. Ao G1, a PM informou que “precisou conter a violência dos manifestantes”.

Todavia, testemunhas afirmam que, apesar das hostilidades verbais, o ato era pacífico e a violência foi desproporcional, lembrando episódios como o de 22 de setembro de 1977, quando a ditadura militar, em uma operação coordenada pelo coronel do Exército Erasmo Dias, invadiu a universidade e reprimiu fortemente um ato estudantil.

Na manhã desta terça-feira (22), estudantes da PUC voltaram a protestar, mas desta vez contra a violência da PM paulista.

Ato PUC 22/03/2016

ACONTECE AGORAAto em repúdio a ação violenta da polícia militar que os alunos pró democracia sofreram ontem, quando se posicionaram durante o ato pro impeachment, na PUC -SP. Participam, neste momento, alunos dos cursos de ciências sociais, direito e psicologia.PUC é resistênciaVídeo: Lucas Martins, para os Jornalistas Livres

Publicado por Jornalistas Livres em Terça, 22 de março de 2016