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18/03/2016 09:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Governo Alckmin 'inaugura' caveirões da PM para retirar à força da Av. Paulista em dia de ato pró-Dilma

Reprodução Twitter e Elaine Cruz/Ag. Brasil

Os jatos de água dos ‘caveirões’ da Polícia Militar de São Paulo, que custaram R$ 77 milhões aos cofres públicos, foram usados pela primeira vez na manhã desta sexta-feira (18) para liberar o trânsito da Avenida Paulista, passadas 40 horas de um bloqueio protagonizado por manifestantes favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

A decisão de usar a força só veio depois de um grupo de manifestantes insistir em permanecer na avenida, justamente em um dia em que já estavam previstos protestos na Paulista em favor do governo federal. Havia um acordo verbal, feito pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) e os manifestantes, para que o local fosse liberado às 9h, mas um grupo resistiu.

Algumas bombas de gás foram lançadas e jatos de água dos ‘caveirões’ – veículos blindados que o Palácio dos Bandeirantes prefere chamar de ‘guardiões’ – foram utilizados para dispersar o grupo de manifestantes, que estava com barracas montadas no trecho entre o Masp e a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – que prestava até apoio logístico aos manifestantes.

O protesto começou por volta das 18h da última quarta-feira (16), pouco depois da liberação de áudios de conversas entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, empossado como ministro-chefe da Casa Civil – cuja indicação está sendo discutida na Justiça. Ao contrário de manifestações como as do Movimento Passe Livre (MPL) e dos estudantes secundaristas de São Paulo, a PM permitiu a permanência do bloqueio da Paulista, sem maiores explicações.

Horas antes da ação policial, alguns agentes bateram continência aos manifestantes e foram aplaudidos.

Na tarde desta quinta-feira (17), Alckmin recebeu um grupo de representantes de movimentos sociais e do PT para conversar sobre o ato desta sexta-feira em favor do governo federal e contra o impeachment de Dilma. Já existia o temor de confrontos entre os dois grupos de manifestantes – o protesto pró-governo está marcado para as 16h, no vão livre do Masp.

“É uma exigência ao governador Geraldo Alckmin do PSDB. No último domingo durante o ato que a direita organizou na avenida Paulista o senhor garantiu segurança e disse que não iria permitir a entrada de contrários e assim foi feito. Governador, no ato de amanhã exigimos que o senhor tenha a mesma postura, venha a público garantir que a sua polícia, o seu aparato de segurança, esteja presente para evitar a presença de provocadores e garanta a segurança”, disse o presidente do diretório estadual do PT de São Paulo, Emídio de Souza.

Publicado por Emidio de Souza em Quinta, 17 de março de 2016

Entretanto, após o encontro o governador paulista deu indicações de que não retiraria os manifestantes contrários ao governo federal. Em nota divulgada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), o Palácio dos Bandeirantes informou que iria garantir “o exercício do livre direito de manifestação e expressão de suas ideias” e que o efetivo policial será o mesmo do ato do último domingo (13).

Ao tentar dialogar com os manifestantes que estavam acampados na Paulista, o secretário Alexandre de Moraes foi hostilizado e teve de se retirar.