COMPORTAMENTO
16/03/2016 15:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Para 72% dos deputados, maconha não deve ser regulamentada nem vendida. Mesmo que isso gere muitos impostos

O que os deputados pensam da descriminalização e da regulamentação da maconha? A pauta segue travada no Supremo Tribunal Federal (STF), sem nenhuma previsão para que volte a ser votada.

Um estudo da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, com apoio da Open Society Foundations, quer jogar luz na questão. Afinal, como pensa a Câmara dos Deputados sobre o assunto?

O levantamento foi realizado entre os meses de junho e setembro do ano passado e contou com 200 deputados. A margem de erro estimada é, em um intervalo de 95% de confiança, de 6.9 pontos percentuais.

Para começar, 72% renegam a regulamentação da maconha com taxação para arrecadação de impostos. Só 14% acredita na medida. E a regulamentação da produção e comércio de drogas ilícitas para diminuição da criminalidade não é adequada para 62%.

Se ações semelhantes como as tomadas por alguns estados norte-americanos estão fora do espectro do nosso Congresso, alguma luz já é possível enxergar: Para 46% dos entrevistados, todas as possibilidades de uso terapêutico da maconha devem ser permitidas. E outros 36% acreditam que somente o canabidiol, deve ter seu uso médico permitido.

Dois terços dos deputados da Câmara consideram a atual política de drogas inadequada, sendo que 30% a consideram ruim e 25% péssima. E 48% dos entrevistados acreditam que a política de drogas piorou nos últimos anos.

Outro ponto interessante é sobre a criminalização dos usuários - que está prevista na legislação atual. Ela não foi defendida pela grande maioria dos deputados. Para 68% dos entrevistados, os usuários não devem ser criminalizados.

Já aqueles 15% dos deputados que defenderam a criminalização do usuário defendem a lei atual acima de qualquer possível mudança.

Na Câmara, entre os 13% que afirmam que a criminalização dependeria do tipo de droga que o usuário porta, a cocaína e o crack foram as mais citadas, mas houve menção a todas as substâncias ilícitas mais conhecidas.