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16/03/2016 20:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Não é papel do judiciário gerar convulsão social', diz defesa de Lula sobre divulgação de grampo telefônico com Dilma

ASSOCIATED PRESS
Brazil’s former President Luiz Inacio Lula da Silva, right, and Senate President Renan Calheiros, chat at the end of a breakfast with senators of the government's allied base, in Brasilia, Brazil, Wednesday, March 9, 2016. (AP Photo/Eraldo Peres)

O advogado de Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "arbitrariedade" a divulgação do aúdio da conversa telefônica entre Dilma Rousseff e o ex-presidente.

Para Cristiano Zanin Martins, o juiz federal Sérgio Moro não poderia ter divulgado a gravação uma vez que ele já não teria competência sobre o caso. Isso porque Lula foi nomeado ministro na noite desta quarta-feira (16), após anúncio oficial nesta manhã. Como ministro, ele passa a ter foro privilegiado e só pode ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e não pela instância de Moro.

Martins afirmou ainda que a divulgação do grampo "extrapola o âmbito do processo". "Nós entendemos que o fato de este grampo envolver a presidente da república é um fato muito grave. Entendemos que este ato está estimulando uma convulsão social e isso não é papel do judiciário", afirmou.

A conversa entre ex e atual presidente foi interceptada por volta das 13h desta quarta-feira pela Polícia Federal, quando Lula ainda não havia nomeado, e liberada por Moro, que tirou o sigilo da 24ª fase da operação Lava Jato, no início desta noite.

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, negou que haja uma intenção do governo de obstruir a Justiça. Segundo ele, Dilma apenas queria uma assinatura de Lula no termo de posse, porque ele não poderia estar presente na cerimônia de posse, informa a GloboNews.