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16/03/2016 11:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Fifa quer indenização de R$ 20 milhões... por corrupção de ex-presidentes da CBF

YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
The president of the Brazilian Football Confederation (CBF), Jose Maria Marin, speaks to CBF vice-president Marco Polo del Nero, before the coach of the Brazilian national football team, Carlos Verri, known as Dunga, announces the first squad of his second spell for next month's friendly matches, in Rio de Janeiro, on August 19, 2014 - with only 10 of those who featured at the World Cup making the cut. He named a squad of 22 players for the friendlies against Colombia in Miami on September 5 and Ecuador in New Jersey four days later. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

A Fifa solicitou à Justiça norte-americana que seja reembolsada em US$ 5,3 milhões (R$ 19,9 milhões) pelos danos causados por dirigentes brasileiros. A entidade afirma em sua alegação que Marco Polo Del Nero, José Maria e Ricardo Teixeira prejudicaram a imagem e "reputação" da entidade máxima do futebol.

Del Nero e Teixeira foram membros do Comitê Executivo da Fifa por anos e, segundo a entidade, teriam absorvido US$ 1,67 milhão (R$ 6,29 milhões) e US$ 3,5 milhões (R$ 13,2 milhões) respectivamente dos cofres da Fifa em gastos de viagem, hotéis e salários, além do impacto sobre a reputação. Já Marin consumiu US$ 114 mil (R$ 430 mil).

Em um recurso apresentado ao Ministério Público dos Estados Unidos, a Fifa estima que precisa receber pelo menos US$ 28 milhões (R$ 106 milhões) do dinheiro já coletado pela Justiça americana dos cartolas que já teriam confessado culpa. O dinheiro viria, por exemplo, dos recursos que José Hawilla já pagou como multa à Justiça dos EUA - cerca de US$ 151 milhões (R$ 569 milhões). No total, os americanos já recuperaram US$ 191 milhões (R$ 720 milhões) no escândalo do futebol. Os recursos dados como fiança, porém, não contam nessa avaliação.

O argumento da Fifa é de que foram os cartolas, e não a entidade, que roubaram os cofres do futebol e afetaram a imagem e reputação da entidade. A estratégia, acima de tudo, é para mostrar aos procuradores que a Fifa foi vítima, e não uma entidade criminosa.

Os advogados, portanto, fizeram os cálculos de quanto gastaram com cada um dos dirigentes hoje indiciados e querem esse dinheiro de volta para "o futebol". Além de Del Nero e Teixeira, a Fifa pede o dinheiro aos americanos referentes aos custos que tiveram com outros ex-membros do Comitê Executivo. Rafael Salguero da Guatemala, por exemplo, teria gasto US$ 5 milhões (R$ 19 milhões) dos recursos da entidade. Chuck Blazer, dos Estados Unidos, teria gerado "perdas" de US$ 5,3 milhões (R$ 20 milhões).

Del Nero e Teixeira foram indiciados pela Justiça americana por suspeitas de terem cobrado propinas milionárias em contratos com empresas de marketing e de televisão. Se deixarem o Brasil, serão presos e entregues ao FBI.

José Maria Marin, ex-presidente da CBF, também foi preso e hoje aguarda o julgamento do seu processo em Nova York. Mas, como nunca foi membro do Comitê Executivo da Fifa, entra numa conta inferior da entidade.

Além dos US$ 28 milhões (R$ 106 milhões) em gastos com dirigentes, a Fifa pede parte do dinheiro para arcar com seus custos em advogados, avaliados em US$ 10 milhões (R$ 38 milhões) por mês.

O apelo da Fifa vem no momento em que a entidade anunciará, nesta sexta-feira, seu primeiro déficit. Em 2015, o buraco deve chegar a US$ 103 milhões (R$ 388 milhões).

Se até agora era a Justiça que acusava os dirigentes, agora é a Fifa que os denuncia por "corrupção". Segundo a entidade, os três cartolas brasileiros ocuparam "posições de confiança na Fifa e em organizações nacionais". "Ao longo dos anos, eles abusaram de suas posições para se enriquecer, enquanto causavam danos significativos para a Fifa", indicou o documento oficial enviado para a Justiça americana.

"Os danos foram amplas perdas financeiras (incluindo salários e dinheiro desviados ao seus bolso), assim como dano para a reputação, relações comerciais e à propriedade intelectual da Fifa", indicaram os advogados. "Suas ações afetaram profundamente a marca Fifa e sua habilidade de usar os recursos para fortalecer o futebol", concluíram.

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